"> RELIGIÕES, RITUAIS, ORAÇÕES, MEDITAÇÕES, REFLEXÕES - SÓ POR - ASTROLOGIA CÁRMICA | Bloguez.com
 

SÓ POR HOJE...

Added 5/9/2014

 

jardim

 

Só por hoje, procurarei viver o dia que passa, apenas, sem tentar resolver todos os problemas da minha vida inteira.

Por doze horas, apenas, poderei executar qualquer coisa que me encheria de pavor se tivesse de realizá-la pelo resto da minha vida.

Só por hoje, me sentirei feliz. Farei verdadeira aquela frase de Abraham Lincoln: "muita gente se sente feliz só porque se convence de que o é."

Só por hoje, procurarei fortalecer minha inteligência. Aprenderei qualquer coisa de útil. Lerei qualquer coisa que exija esforço, pensamento e concentração.

Só por hoje, procurarei me ajustar aos fatos, em vez de tentar ajustar tudo que existe aos meus próprios desejos.

Só por hoje, exercitarei minha alma de três maneiras: fazer um benefício a alguém, sem contá-lo a quem quer que seja. Farei pelo menos duas coisas que não desejava fazer, só por exercício. E hoje, se alguma coisa me magoar, não revelarei a ninguém.

Só por hoje, procurarei mostrar a melhor aparência possível, vestir-me bem, falar baixo e agir delicadamente. Não farei críticas ou tentarei corrigir nem dar ordens a ninguém, a não ser a mim mesmo.

Só por hoje, estabelecerei um programa de ação. É possível que eu não o siga à risca, mas tentarei. Vou me livrar de duas pragas: a pressa e a indecisão.

Só por hoje, dedicarei uma meia hora, a mim próprio, para fazer silêncio e repouso. Durante essa meia hora procurarei divisar uma perspectiva mais clara de minha vida. Só por hoje, não hei de ter medo.

Especialmente, não hei de ter medo de apreciar a beleza e de acreditar que aquilo que eu der ao mundo, o mundo me devolverá.

A Partir de Hoje... Terei Tempo Para Tudo...

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REENCARNAÇÃO

Added 5/8/2014

A Necessidade da Encarnação

reencarnaçao

Não poucas vezes algum irmão nos pergunta sobre o porque de precisarmos encarnar, uma vez que, segundo afirma, com base no relato dos autores espirituais, tudo o que se encontra na Terra, também, se encontra no plano espiritual.

Lembram os irmãos que assim pensam que, no plano espiritual, existem lares, famílias, cidades e comunidades várias, amigos e inimigos, trabalho e repouso, veículos, tudo, enfim, de que alguém necessita para ter uma vida igual àquela que se passa na Terra, sendo possível lá, como cá, praticar a reforma íntima e evoluir pelo estudo sério e pelo trabalho caritativo dedicado e amoroso.

A resposta a tal questionamento é justamente o tema da primeira parte deste estudo, isto é, saber qual a real necessidade da encarnação, qual a real necessidade de vivermos em um corpo material e de interagirmos com a matéria bruta para podermos evoluir até a perfeição.

Se lermos com atenção a resposta que São Luiz deu a Kardec no Item 25 de O Evangelho Segundo o Espiritismo, vermos que ela não satisfaz a curiosidade de tais irmãos. 25. É um castigo a encarnação e somente os Espíritos culpados estão sujeitos a sofrê-la? A passagem dos Espíritos pela vida corporal é necessária para que eles possam cumprir, por meio de uma ação material, os desígnios cuja execução Deus lhes confia. É-lhes necessária, a bem deles, visto que a atividade que são obrigados a exercer lhes auxilia o desenvolvimento da inteligência. Sendo soberanamente justo, Deus tem de distribuir tudo igualmente por todos os seus filhos; assim é que estabeleceu para todos o mesmo ponto de partida, a mesma aptidão, as mesmas obrigações a cumprir e a mesma liberdade de proceder. Qualquer privilégio seria uma preferência, uma injustiça. Mas, a encarnação para todos os Espíritos, é apenas um estado transitório. E uma tarefa que Deus lhes impõe, quando iniciam a vida, como primeira experiência do uso que farão do livre arbítrio. Os que desempenham com zelo essa tarefa transpõem rapidamente e menos penosamente os primeiros graus da iniciação e mais cedo gozam do fruto de seus labores. Os que, ao contrário, usam mal da liberdade que Deus lhes concede retardam a sua marcha e, tal seja a obstinação que demonstrem, podem prolongar indefinidamente a necessidade da reencarnação e é quando se torna um castigo. - S. Luís. (Paris, 1859.)

Ora, por que – perguntariam eles, provavelmente insatisfeitos com a resposta de São Luís – os desígnios de Deus hão de requerer ação no plano material? Se, tanto a inteligência quanto a bondade, podem ser desenvolvidos na espiritualidade, qual a necessidade de se encarnar, qual a necessidade de se agir no plano material? Na espiritualidade – continuariam eles - não estaríamos, também, exercendo, a todo instante, o livre-arbítrio e nos sujeitando todo tempo à lei da causalidade e às demais leis de Deus? Não nos é possível, lá, tanto quanto cá – concluiriam - fazermos uso de nosso livre-arbítrio e de nossa força de vontade tanto para o bem quanto para o mal? Tentando encaminhar essa questão, vejamos o que Kardec perguntou aos Espíritos, no desdobramento “a” da

Questão 175 de O Livro dos Espíritos: 175. Haverá alguma vantagem em voltar-se a habitar a Terra? “Nenhuma vantagem particular, a menos que seja em missão, caso em que se progride aí como em qualquer planeta.” a) Não se seria mais feliz permanecendo na condição de Espírito? “Não, não; estacionar-se-ia e o que se quer é caminhar para Deus.” Está aí uma afirmação que nos interessa. Que estarão querendo dizer os Espíritos, ao afirmarem, de modo tão peremptório, que permanecer na espiritualidade é o mesmo que estacionar? O raciocínio de nossos irmãos nos estava conduzindo à conclusão contrária, não é mesmo?

Mais adiante, ainda em O Livro dos Espíritos, Kardec continua: 196. Não podendo os Espíritos aperfeiçoar-se, a não ser por meio das tribulações da existência corpórea, segue-se que a vida material seja uma espécie de crisol ou de depurador, por onde têm que passar todos os seres do mundo espírita para alcançarem a perfeição? “Sim, é exatamente isso. Eles se melhoram nessas provas, evitando o mal e praticando o bem; porém, somente ao cabo de mais ou menos longo tempo, conforme os esforços que empreguem; somente após muitas encarnações ou depurações sucessivas, atingem a finalidade para que tendem.”

Está mais que claro, pela Codificação, tanto em O Evangelho Segundo o Espiritismo quanto em O Livro dos Espíritos, que os Espíritos só podem evoluir encarnados. Foi o que disseram os Espíritos e o que Kardec entendeu e aceitou. Mas, por que? A vasta obra de André Luiz, que nos veio pela abençoada mediunidade de nosso saudoso Chico, trouxe-nos preciosos ensinamentos de como as coisas se passam no mundo espiritual, ensinamentos esses, mais tarde, corroborados por diversos outros Espíritos, através de outros médiuns.

Vejamos se desse farto material, aliado às lições que obtemos da Codificação, tiramos algum elemento que falta ao nosso raciocínio. O estudioso atento e que aprendeu que a Doutrina é evolutiva, aprende, por exemplo, que nossa real identidade no mundo espiritual é transparente, podendo nossos inimigos de outras eras reconhecer-nos sem grande dificuldade, ao contrário do que ocorre quando estamos encarnados, onde uma nova personalidade nos esconde dos desafetos que nos queiram prejudicar.

Fica sabendo, também, que não há dissimulação no plano espiritual, sendo nossos pensamentos e emoções facilmente percebíveis por quem esteja em nossa faixa de sintonia. Qualquer tentativa de nos reconciliarmos com alguém a quem tenhamos prejudicado no passado incorrerá em fracasso se estivermos no plano espiritual, uma vez que nosso medo da reação de nossos desafetos ou nossa postura defensiva contra sua possível vingança estarão sempre a nos denunciar.

Do mesmo modo que o cão percebe se a pessoa perto dele está serena ou com medo, amorosa ou agressiva, reagindo conforme tal percepção, os Espíritos desencarnados percebem as emoções e pensamentos uns dos outros e reagem de acordo com eles, de nada valendo o autocontrole com que qualquer um deles tente esconder o que sente ou o que pensa dos demais. Impossibilitados de nos reconciliar com nossos desafetos do passado e fazendo novos desafetos a todo instante pela impossibilidade de escondermos dos outros nossos pensamentos e emoções a respeito deles, já não nos parece mais difícil entender porque ficaríamos praticamente estacionados se permanecêssemos indefinidamente no plano espiritual. Podermos evoluir envolvidos em atividades caridosas com o apoio de Espíritos mais evoluídos, sem dúvida. No entanto, somente conseguiríamos ajudar os Espíritos sofredores caso esses não nos conhecessem ou caso, apesar de nos conhecerem, nada de mal tivesse jamais ocorrido entre eles e nós.

Por outro lado, ao encarnarmos, nos é dada uma oportunidade toda nova de recomeço. Temos uma nova aparência, nada lembramos de nossas vivências pretéritas, e possuímos domínio sobre o que falamos e sobre a expressão que estampamos em nosso rosto, sendo-nos possível dissimular pensamentos e emoções. Nossos Espíritos Protetores utilizam tal situação para juntar, nas mesmas famílias, nas mesmas comunidades, Espíritos que necessitam de reconciliação. Protegidos uns dos outros pelo “disfarce” do corpo físico, temos a oportunidade de travar novas relações com todos.

Se soubermos fazer uso dessa possibilidade, com sabedoria, não só não mais faremos desafetos, como iremos, pouco a pouco, reparando nossos erros do passado e sublimando, em relações de família equilibradas e amorosas, o ódio dos inimigos figadais de outrora. A encarnação é, portanto, mais uma benção que recebemos da bondade divina. Toda vida existente no universo deve ser respeitada como tal. Porém, sabermos amar a vida onde quer que ela se encontre pressupõe que saibamos amar a nossa própria. Aprendamos, portanto, a amar e respeitar nosso corpo, tratando-o com cuidado e atenção, para que, saudável, ele seja o instrumento de nosso progresso e dos demais seres com quem nos relacionamos na vida. Afinal, o corpo físico que ganhamos a cada encarnação é o templo onde, com estudo e trabalho no bem, construiremos o reino dos céus que Jesus ensinou estar dentro de nós.

A Necessidade da Reencarnação

Agora que já sabemos que é necessário encarnar, viver em um corpo físico, para evoluir, resta estudarmos o porque de necessitarmos viver em um corpo físico mais de uma vez. A pergunta que ora se coloca, portanto, é: Qual a Necessidade da Reencarnação?

Uma vez que acreditamos serem as leis de Deus soberanamente justas, somos forçados a admitir que fomos todos, sem exceção, criados no mesmo estágio inicial, isto é, simples e ignorantes, e dotados do mesmo potencial evolutivo, que nos levará à perfeição. Imaginar que um de nós possa ter sido criado sábio, belo e saudável e um outro, deficiente mental, feio e doente, que um possa ter sido criado caridoso e gentil e outro, perverso e violento, admitir tais possibilidades é negar justiça nas leis divinas, o que equivale a negar a própria divindade. Dizemos isso com segurança, pois não pode Deus ser menos justo que o homem.

Se, mesmo a humanidade, ainda tão atrasada, sabe ser justa nas competições esportivas, separando cada desporto em classes e categorias, de acordo com as habilidades atingidas pelos participantes, como poderíamos esperar de Deus menor justiça, privilegiando a uns e prejudicando a outros em uma disputa desigual? Desse modo, não há como negar que somos todos criados iguais e temos todos o mesmo destino.

Resta uma questão: será possível a um de nós evoluir do estado de simplicidade e ignorância completas ao de perfeição moral e intelectual em uma só existência? As evidencias obtidas até hoje pelos paleontólogos nos revelam que a espécie humana surgiu, há, aproximadamente, dois milhões e meio de anos, provavelmente na África.

Mesmo se admitirmos, o que não corresponde à realidade, que iniciamos nossa jornada no reino hominal, o bom-senso e um simples raciocínio nos levam a concluir pela total impossibilidade de um ser humano, no estágio desse homem primitivo, que sequer o fogo sabia fazer, poder passar ao de um moderno gênio da ciência, capaz de desvendar os segredos do átomo, em uma única existência, fosse ela de 50, 70, 100 ou mesmo 1000 anos. Supor que aquele Homo Habilis viveu uma única vida é negar a premissa de que todo ser humano é fadado à perfeição. Nem necessitamos ir tão longe no passado. Olhemos para nós mesmos: quanto tempo nos falta para chegarmos ao estágio de um Ghandi, de um Chico Xavier ou de uma Madre Tereza? Com sinceridade, pode algum de nós ser tão ingênuo para achar que consegue chegar lá ainda nesta vida? Não, para evoluirmos, mesmo do estágio em que estamos neste século XXI até à perfeição faltam milênios e esses milênios requerem a pluralidade de existências. O que está na origem de nossa necessidade de reencarnar, portanto, é a Lei da Evolução. Somos todos criados simples e ignorantes e temos todos o mesmo potencial de evolução, tanto em bondade quanto em sabedoria. E, ao fim da jornada seremos todos perfeitos. Não dizemos isso por pura especulação, nem, tampouco, baseados na Codificação.

Quem nos disse que, um dia, seremos perfeitos foi Jesus, ao nos exortar: “Portanto, sejam perfeitos como é perfeito o Pai de vocês que está no céu". (Mt 5,48) Perfeição, a Nossa Meta Final Tem-se escutado, quando em vez, expositores falando em uma tal “perfeição relativa”. Isso nos preocupa porque pode levar alguém a conclusões erradas. Desse modo, vamos refletir um pouco sobre o relativo e o absoluto. O mecânico de automóveis que não erra nenhum diagnóstico e que repara peças e sistemas defeituosos de modo a que o veículo volte a funcionar como se novo fosse, pode ser chamado de um mecânico perfeito. O engenheiro civil que não erra nenhum cálculo, não esquece nenhuma especificação e tudo faz em conformidade com os melhores critérios de projeto, pode ser entendido como um engenheiro civil perfeito. O aluno que domina todas as matérias do Ensino Fundamental e ao qual se pode fazer qualquer pergunta desse ciclo acadêmico sem que ele erre a resposta, pode ser chamado de aluno perfeito do Ensino Fundamental.

No entanto, se pedirmos ao mecânico de automóveis perfeito que ele conserte um avião, ao engenheiro civil perfeito que ele projete um circuito eletrônico ou ao aluno perfeito do Ensino Fundamental que nos responda uma questão do Ensino Médio, todos eles fracassarão na resposta à nossa solicitação. Fica claro, portanto, que cada um deles é perfeito em relação ao conhecimento que estudou. Isso é o que se chama de “perfeição relativa”. Um Espírito que tenha aprendido tudo o que pode ser aprendido junto à humanidade terrestre, pode ser dito perfeito relativamente à humanidade terrestre.

Se ele tiver aprendido tudo o que é possível aprender nos diversos mundos do nosso sistema solar, ele poderá ser dito perfeito relativamente ao sistema solar. É assim que iremos evoluir, superando cada o estágio associado a cada mundo quando pensarmos e agirmos com a perfeição relativa a cada um. Não podemos perder de vista, no entanto, por mais que saibamos que, a cada estágio que superarmos, nos faremos perfeitos em relação a ele, que a nossa meta final é a perfeição absoluta. Atingiremos a perfeição absoluta quando nada mais houver na criação que não saibamos, quando tudo o que pensarmos ou fizermos em qualquer parte de qualquer universo esteja em exata concordância com as leis de Deus. Nesse estágio final, o relativo deixa de existir, posto que algo que seja relativo a tudo é absoluto para tudo.

Essa perfeição absoluta à qual um dia chegaremos é a perfeição possível a uma criatura. Como Jesus nos ensinou a ver Deus como Pai, de natureza, portanto, semelhante à nossa, fica claro o que o Mestre quis dizer quando nos exortou: “...sejam perfeitos como é perfeito o Pai de vocês que está no céu.” Entendendo Deus como a Inteligência suprema, causa primária de todas as coisas, no entanto, facilmente deprenderemos que não se pode comparar uma criatura com Deus. O que podemos ler sobre os espíritos puros na Escala Espírita (LE, Pare 2a. Cap. I, 113) diz exatamente o que acabamos de inferir: “... Tendo alcançado a soma de perfeição de que é suscetível a criatura, ...”. Seremos perfeitos ao final da jornada. Não ‘perfeitos relativos”, mas, simplesmente, “perfeitos”. Como nos sabemos criaturas, não há margem para confusão.

Como Age a Reencarnação

Para avançar na senda evolutiva, temos que aprender, para aprender, temos que vivenciar experiências variadas, para vivenciar experiências variadas, temos que nos relacionar com a diversidade de outras criaturas que povoam o universo. Temos que nascer ricos para aprendermos a usar o dinheiro visando o progresso da humanidade e não apenas o nosso, pobres para aprendermos que nos é possível ser úteis aos nossos irmãos, mesmo sem dispormos de recursos materiais, bonitos para sabermos como utilizar a beleza para influenciar os outros para o bem, com nosso exemplo de humildade e trabalho, feios para que saibam que a feiúra não é obstáculo às nobres ações, saudáveis para sermos motores das grandes realizações, doentes para mostrarmos, aos que se sentem fracos e incapazes, o quanto pode aquele que tem força de vontade.

Se reencarnarmos em uma sociedade tranqüila, teremos muito a aprender, não mais nem menos, porém, que se nascermos em uma sociedade em guerra ou em outra situação calamitosa. As características de cada reencarnação que temos, sejam elas raciais, familiares, econômicas, sociais ou religiosas, são sempre as mais adequadas ao estágio de evolução no qual nos encontramos, tendo sido cuidadosamente escolhidas pelos nossos protetores e guias espirituais visando nosso melhor aproveitamento. Os Espíritos evoluem através de sucessivas vidas na carne e, por força da Lei da Causalidade, todas as ações cometidas por eles contrárias às Leis da Natureza farão com que vivenciem, em momentos posteriores, situações onde terão a oportunidade de reparar seus erros. São as chamadas expiações.

Essas oportunidades são incontáveis, de modo a respeitar tanto a Lei da Causalidade quanto o Livre Arbítrio. Desse modo, se uma situação de vida destinada a oferecer ao Espírito uma oportunidade nova de reparar um erro não é aproveitada, surgirá outra, outra e outra mais, em sucessão interminável até que a diretriz da Lei seja cumprida e a harmonia seja estabelecida.

Outro tipo de experiência que os Espíritos vivenciam durante sua evolução são as chamadas provas, isto é, situações não antes vividas onde eles terão que aplicar a sabedoria e a bondade adquiridas até então para mostrar estarem em condição de aproveitar as lições nelas contidas. Sejam provas ou expiações, as experiências que vivemos são, antes de tudo, lições que temos que aprender. Sempre que um método utilizado não funcionou, novo método de ensino é aplicado até que as lições sejam aprendidas. Não existe pecado, não existe punição. Tal percepção das leis de Deus é um resquício dos ensinamentos que tivemos quando seguíamos outras religiões. O que existe é aprendizado contínuo nos caminhos da evolução incessante.

A Rede Escolar de Deus O Mestre dos Mestres costumava utilizar-se de acontecimentos do dia-a-dia, comportamentos sociais e personagens conhecidos para, por meio de paralelos ou alegorias, tornar a realidade espiritual compreensível ao povo. Utilizando o mesmo método que Jesus usava, vamos aprofundar nosso entendimento da necessidade da reencarnação, pensando na instituição escolar humana, como fez o Codificador. Antes de realizar nosso intento, porém, vamos, primeiramente, pinçar algumas questões de O Livro dos Espíritos, que nos ajudarão a montar nosso paralelo. 172.

As nossas diversas existências corporais se verificam todas na Terra? Não; vivemo-las em diferentes mundos. As que aqui passamos não são as primeiras, nem as últimas; são, porém, das mais materiais e das mais distantes da perfeição. 177. Para chegar à perfeição e à suprema felicidade, destino final de todos os homens, tem o Espírito que passar pela fieira de todos os mundos existentes no Universo? Não, porquanto muitos são os mundos correspondentes a cada grau da respectiva escala e o Espírito, saindo de um deles, nenhuma coisa nova aprenderia nos outros do mesmo grau.

a) Como se explica então a pluralidade de suas existências em um mesmo globo? De cada vez poderá ocupar posição diferente das anteriores e nessas diversas posições se lhe deparam outras tantas ocasiões de adquirir experiência. Vamos, então, ao nosso paralelo. Todos sabemos que, até a criança chegar à Universidade há um longo caminho a percorrer e que, ao longo desse caminho, ela pode passar por diferentes instituições. O Universo pode ser visto, dessa forma, como uma imensa rede escolar dirigida por Deus através de suas leis sábias e imutáveis. O dono dessa rede é infinitamente tolerante, justo e amoroso e não aceita nenhum outro resultado que não a formatura com louvor de todos os alunos que nela ingressam, dando a eles infinitas chances de recomeço. Se um deles fracassar em uma série por displicência, ele poderá repetir o ano quantas vezes for necessário, cada vez com alguns professores novos e outros antigos, com alguns colegas novos e outros repetentes com ele. Se algum não se adaptar ao método de uma escola, lhe será permitido mudar de escola, para alguma onde se aplique metodologia diferente daquela praticada na escola onde ele não conseguia aprender, podendo mudar de escola de novo e mais uma vez, até que se adapte e consiga progredir. Por mais que um aluno repita o ano e mude de escola, o dono da rede nunca desiste de vê-lo formado e sempre lhe oferece uma nova chance de recomeço. As principais diferenças entre esse modelo e as instituições humanas são o fato de nenhum aluno ser jamais expulso da rede escolar de Deus e a certeza de que todos, sem exceção, serão levados da creche à pós-graduação, do estágio de simples e ignorantes ao da angelitude. A Escala Espírita e a Reencarnação Em O Livro dos Espíritos, Parte II, Capítulo 1, Allan Kardec apresenta a Escala Espírita, uma classificação geral para termos uma idéia dos estágios pelos quais passa um Espírito em evolução. No Capítulo III de O Evangelho Segundo o Espiritismo, Kardec classifica os mundos habitados da seguinte forma:

Mundos Primitivos: destinados às primeiras encarnações e experiências da alma humana.

Mundos de Expiação e Provas: Nesses mundos, o mal predomina. Os Espíritos aí encarnam para prosseguir na sua evolução, passando por provas e expiações, decorrentes de seu processo de aprendizado evolutivo.

Dentre os Espíritos que encarnam em um mundo de provas e expiações há os que acabaram de sair da infância evolutiva, vindos de um mundo primitivo, os que se demoram no aprendizado, precisando de inúmeras reencarnações para aprender cada lição evolutiva e os “degredados” de outros mundos, “de onde foram excluídos em conseqüência da sua obstinação no mal e por se haverem constituído, em tais mundos, causa de perturbação para os bons.”

• Mundos de Regeneração: Onde a alma penitente encontra a calma e o repouso e acaba por depurar-se. O Espírito ainda se acha sujeito às leis que regem a matéria; experimentando as mesmas sensações e desejos, mas liberta das paixões desordenadas e dos vícios. O amor e o reconhecimento de Deus predominam e o esforço evolutivo é constante. Ainda suportam provas, pois são essas não mais que mecanismos de ensino necessários à evolução. Sendo o Espírito ainda falível, no entanto, ocorre de alguns recaírem no erro, fazendo com que voltem aos mundos de provas e expiações para aprenderem pelo método mais árido aquilo que pelo bem recusaram aprender no ambiente de amor e paz.

• Mundos Ditosos ou Felizes: onde o bem sobrepuja o mal. A felicidade predomina.

• Mundos Celestes ou Divinos: habitação dos Espíritos mais evoluídos, onde reina exclusivamente o bem e o conhecimento da verdade. Em um exercício de comparação, com base na Escala Espírita e na Classificação dos Mundos, podemos imaginar o seguinte enquadramento para a reencarnação dos Espíritos, durante o estágio no Reino Hominal.

Categoria de Mundo

Progresso Acadêmico

Classes Predominantes de Espíritos

Primitivo Educação Infantil Início de Jornada e 7a classe: Espíritos Simples e Ignorantes e Neutros.

Provas e Expiações Ensino Fundamental 9a, 8a, 7a, 6a, 5a e 4a classes: Espíritos Perturbadores, Neutros, Pseudo-sábios, Levianos, Impuros, Benévolos e Sábios.

Regeneradores Ensino Médio 7a, 5a, 4a, 3a e 2a classes: Espíritos Neutros, Benévolos, Sábios, de Sabedoria e Superiores.

Ditosos ou Felizes Curso Superior 3a e 2a classes: Espíritos de Sabedoria e Superiores.

Celestes ou Divinos Pós Graduação 1a classe: Espíritos Puros. Em nosso enquadramento mostramos que Espíritos de ordem mais elevada reencarnam em mundos menos evoluídos que os que lhes correspondem. Tais Espíritos são os gênios das ciências, das artes e das demais áreas do saber humano, além dos ditos santos das diversas tradições religiosas.

Chamamos particular atenção para os nundos primitivos, destinados às primeiras encarnações das almas que ingressaram no reino hominal, tornando-se Espíritos, após a conquista da consciência moral. Nesses mundos, em nosso entendimento, Espíritos neutros podem reencarnar para desenvolver a tendência pelo bem. Dotados de mais conhecimento que os simples e ignorantes eles poderão ensinar àqueles o que sabem, tornando-se líderes de comunidades, seus sacerdotes ou conselheiros.

A Evolução do Princípio Inteligente Até agora, por simplicidade, falamos da necessidade da reencarnação pensando somente na fase em que estagiamos no reino hominal. A realidade, no entanto, não se limita desse modo. Tudo na Criação está em contínua evolução. Evolui o Universo em sua expansão incessante, evoluem os astros, evoluem os seres animados e os inanimados. Diz Santo Agostinho em O Evangelho Segundo o Espiritismo Cap III, item 19: “...

Ao mesmo tempo em que todos os seres vivos progridem moralmente, progridem materialmente os mundos em que eles habitam. Quem pudesse acompanhar um mundo em suas diferentes fases, desde o instante em que se aglomeraram os primeiros átomos destinados e constituí-lo, vê-lo-ia a percorrer uma escala incessantemente progressiva, mas de degraus imperceptíveis para cada geração, e a oferecer aos seus habitantes uma morada cada vez mais agradável, à medida que eles próprios avançam na senda do progresso. Marcham assim, paralelamente, o progresso do homem, o dos animais, seus auxiliares, o dos vegetais e o da habitação, porquanto nada na Natureza permanece estacionário. Quão grandiosa é essa idéia e digna da majestade do Criador!

Quanto, ao contrário, é mesquinha e indigna do seu poder a que concentra a sua solicitude e a sua providência no imperceptível grão de areia, que é a Terra, e restringe a Humanidade aos poucos homens que a habitam!...” Criado simples e ignorante, mas destinado à Angelitude, o princípio inteligente evolui em sua longa jornada, estagiando nos diversos reinos, habitando em diversas moradas, tornando-se mais e mais complexo, individualizando-se, conquistando a consciência, o livre arbítrio, adquirindo sabedoria e bondade até o potencial máximo de que foi dotado, tornando-se, finalmente, Espírito Puro.

Quando falamos em Necessidade da Reencarnação, não podemos nos esquecer, portanto, que nossa jornada se iniciou muito antes de ingressarmos no reino hominal. Tudo na natureza nasce, morre e renasce. A reencarnação é uma lei divina e é através dela que o princípio inteligente evolui das formas mais simples da criação às mais complexas. Não dispomos de tempo neste estudo para explorar os mecanismos da evolução em tempos anteriores ao ingresso no reino hominal. Sabemos, no entanto, que os animais, plantas e minerais são todos tão mais evoluídos e sutis quando evoluídos e sutis são os mundos em que eles habitam. Não é difícil, portanto, concluirmos que todos os seres vivos e inanimados necessitam, de certa forma, reencarnar e o fazem do mesmo modo que o homem, migrando de um mundo para outro e permanecendo maior ou menor tempo em cada um, conforme sua necessidade de aprendizado e estágio evolutivo.

Assim, por exemplo, ninguém deve esperar que aquele cãozinho, inteligente e sensível, que nos faz companhia, venha a ter uma de suas próximas reencarnações aqui na Terra como ser humano. Não, ele não terá. Primeiro, sua alma terá de estagiar em diversos outros mundos, adquirindo raciocínio mais elaborado e desenvolvendo suas emoções, até que sua consciência desperte em plenitude e ele possa, dotado de livre arbítrio e responsabilidade, interagir de igual para igual com outros seres do reino hominal. O ápice de sua evolução como membro do reino animal se dará, portanto, provavelmente, em um mundo ditoso e não em nosso planeta de provas e expiações. Do mesmo modo, seu ingresso no reino hominal se dará em um mundo primitivo, tampouco ocorrendo em nosso orbe.

Se aquela alma, hoje no estágio de um cãozinho, um dia alcançará seu hoje dono na jornada evolutiva, isso não nos é possível saber. Cada ser evolui de forma diferente do outro, uns acertando mais e outros menos, uns, mais rápido e, outros, mais devagar. Aquele que hoje aprende comigo poderá, amanhã, ser meu professor. Conclusão Nós fomos criados simples e ignorantes, mas destinados à perfeição. A Lei da Evolução rege todos os seres e todas as coisas. Para que o princípio inteligente possa evoluir, ele necessita ingressar na matéria e interagir com ela. O percurso evolutivo, do átomo ao arcanjo, é imenso, impossível de ser percorrido em uma única existência.

Estamos, talvez, a meio caminho na senda evolutiva. Se, por um lado, nos sabemos ainda longe da perfeição, muito longe também estamos dos seres mais simples que habitam nosso planeta. Conquistas importantes já foram feitas e, tendo-as feito, é mister que saibamos fazer delas o melhor uso. Possuímos consciência moral e raciocínio maduro, sendo, também, dotados de livre-arbítrio. Empenhemo-nos, portanto, tanto quanto nos seja possível, na reforma íntima. Busquemos, a cada dia, sermos uma pessoa melhor que no dia anterior. Ao final de cada dia, ao término de cada ação, ao concluirmos cada comentário, saibamos nos calar e refletir sobre o que dissemos , sobre o que pensamos, e sobre o que fizemos. Analisando continuamente nossos pensamentos, palavras e obras, disciplinaremos nossa conduta para torná-la uma conduta verdadeiramente espírita, uma conduta verdadeiramente cristã. A evolução não é uma corrida de obstáculos, sequer uma corrida é.

No entanto, que a constatação de que temos a eternidade para evoluir não sirva para nos amolecer o ânimo, mas, antes, como estímulo para acelerarmos a marcha, de modo a podermos ajudar aqueles que ficaram para trás, praticando, desse modo, a verdadeira caridade cristã.

 

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DO OUTRO LADO DA CENA - STO AGOSTINHO

Added 16/5/2014

A morte não é nada.

Eu apenas passei para o outro lado do caminho.

Eu sou eu, vocês são vocês. O que eu era para vocês eu continuarei sendo.

Me deem o nome que vocês sempre me deram, falem comigo como vocês sempre fizeram.

Vocês continuam vivendo no mundo das criaturas, e eu estou vivendo no mundo do Criador.

Não utilizem tom solene ou triste, continuem a rir daquilo que nos fazia rir juntos.

Rezem, sorriam, pensem em mim. Rezem por mim. Que meu nome seja pronunciado como sempre foi, sem ênfase de nenhum tipo. Sem nenhum traço de sombra.

A vida significa tudo o que ela sempre significou, o fio não foi cortado.

Por que eu estaria fora dos seus pensamentos, agora que eu estou apenas fora de suas vidas?

Eu não estou longe, apenas do outro lado do caminho.

 

lirio branco

 

Santo Agostinho

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AÇÃO E REAÇÃO - A LEI DA ESCOLHA

Added 3/10/2012

                                    "A Lei da Escolha"

 

libre

 

 

“O primeiro passo para conseguir algo é desejá-lo" (Madre Teresa) “Escolher é viver. A todo instante nos deparamos com essa extraordinária Lei. Escolher é decidir e essa decisão poder ser consciente ou inconsciente. '

Mas como assim, se eu decidi, então fui eu quem decidiu. Por que devo me preocupar com isso e complicar as coisas?' A pergunta é provocante mesmo. Essa é a parte crucial e intrigante da Lei da Escolha. Fazemos, sim, escolhas mecânicas e involuntárias, isso é comum na maior parte do tempo e não há problema. Se fizéssemos todas as nossas escolhas conscientes, logicamente ficaríamos neuróticos rapidamente.

Nosso cérebro direito (racional) comanda nossos pensamentos racionais com facilidade, afinal aprimoramos muito o lado direito durante todos esses séculos e exatamente por isso deixamos o nosso lado esquerdo (emocional e intuitivo) esquecido em sua plenitude. A parte racional decide atividades que exercemos desde o momento em que acordamos, fazemos realmente milhares de escolhas, temos de tomar muitas decisões durante um dia e nem percebemos.

Com relação às escolhas mecanizadas e comandadas pela razão, não devemos nos incomodar, porém dentro desse mesmo mar de atividades cotidianas, também nos deparamos com muitas escolhas que ativam nossas emoções que, se não estiverem harmonizadas o suficiente com nossa intuição, certamente nos levarão a falhas na maioria das vezes. É necessário saber que para cada escolha que fizer terá de assumir perante o Universo as responsabilidades que virão a partir daí.

Ser consciente de suas escolhas é importante para que se tenha êxito em sua caminhada. Eis o ponto em questão. Sabemos que a Lei da Atração recompensa toda emoção com a mesma emoção. Isaac Newton, em sua Teoria da Ação e Reação, nos comprovou com clareza que essa lei funciona perfeitamente para a matéria com a seguinte afirmação:

'Para cada ação, há sempre uma reação oposta de igual intensidade.'

Essa lei sobressai à matéria e ultrapassa também as fronteiras do pensamento. Nossas escolhas (conscientes ou inconscientes) carregam um peso, o qual devemos assumir, pois elas são de nossa inteira responsabilidade."

 

Texto extraído do livro: "2012 A Era de Ouro, Olhos Eternos", autores: C. Torres e S. Zanquim/canalização Tania Resende; Ed. Madras.

Category : RELIGIÕES, RITUAIS, ORAÇÕES, MEDITAÇÕES, REFLEXÕES

UMBRAL ???

Added 25/8/2012

NOSSOLAR

 

Em 1943, André Luiz, o médico que se tornou conhecido psicografando livros pela mediunidade de Francisco Cândido Xavier, trouxe a público o significado dado à palavra na colônia espiritual “Nosso Lar”, onde passou a viver alguns anos depois de seu desencarne. Em seu livro também chamado “Nosso Lar”, ele conta como ouviu falar do Umbral pela primeira vez, quando o enfermeiro Lísias lhe dava as primeiras informações sobre a colônia e descreveu-o como região onde existe grande perturbação e sofrimento e para a qual a colônia dedicava atenção especial.

Desde então, a palavra Umbral, escrita com inicial maiúscula, como o fez André Luiz no livro “Nosso Lar”, tomou significado especial, principalmente entre os espíritas, designando a região espiritual imediata ao plano dos encarnados, para onde iriam e onde estariam todos os espíritos endividados, perturbados e desequilibrados depois da vida. Com esta conotação a palavra difundiu-se muito e transformou-se num quase sinônimo do Inferno e do Purgatório dos católicos, com localização geográfica, tamanho, etc., conceito este que o próprio Allan Kardec, codificador do Espiritismo, já havia desmistificado em suas obras, mais de 80 anos antes, especialmente em “O Livro dos Espíritos”.

Como vemos pelas respostas dos espíritos a Kardec, o inferno e o paraíso não passam de estados de espírito, condição moral de sofrimento ou felicidade a que estão sujeitos os espíritos por suas próprias atitudes, pensamentos e sentimentos durante a vida encarnada e depois dela. E é bom lembrar que espíritos somos todos, encarnados e desencarnados, vivendo cada um o seu inferno e o seu paraíso particulares. O que nos diferencia dos espíritos desencarnados é apenas o fato de estarmos temporariamente presos a um corpo denso de carne.

De resto, somos absolutamente iguais a eles, com desejos, opiniões, frustrações, alegrias, defeitos e qualidades. Na verdade, a figura geográfica e espacial do inferno dos católicos serviu de molde aos espíritas para que melhor visualizassem o que seria o Umbral, assim como o inferno da Igreja Católica foi tomado emprestado e adaptado do inferno dos povos pagãos para compor os mitos de inferno e paraíso. Se não existe inferno ou purgatório porque haveria de existir o Umbral com localização, medidas, coordenadas, etc.? Tudo o que existe no plano espiritual é criado pela mente dos espíritos encarnados e desencarnados.

Sempre que pensamos nossa mente dispara um processo pelo qual somos capazes de moldar as energias mais sutis do universo, criando formas que correspondem exatamente àquilo que somos intimamente. Extremamente apegados ao mundo material, nada mais natural que, mesmo estando fora dele, queiramos tê-lo novamente quando desencarnados. É aí que nossa mente entra em ação, criando tudo o que desejamos ardentemente. E várias mentes desejando a mesma coisa juntas têm muito mais força para criar.

A grande diferença é que, no mundo físico, podemos embelezar artificialmente o nosso ambiente e a nossa aparência, enquanto que no plano astral isso não é possível, pois lá todos os nossos defeitos, mazelas, falhas, paixões, manias e vícios ficam expostos em nossa aura, exibindo claramente quem somos como consciências e não como personalidades encarnadas. No Umbral, tudo o que está fora de nós é conseqüência do que está dentro.

Tudo o que existe em nosso mundo pessoal e nos acontece é reflexo do que trazemos na consciência. Assim, o Umbral nada mais é que uma faixa de freqüência vibratória a que se ligam os espíritos desequilibrados, cujos interesses, desejos, pensamentos e sentimentos se afinizam. É uma “região” energética onde os afins se encontram e vivem, onde podem dar vazão aos seus instintos, onde convivem com o que lhes é característico, para que um dia, cansados de tanto insistirem contra o fluxo de amor e luz do universo, entreguem-se aos espíritos em missão de resgate, que estão sempre por lá em trabalhos de assistência.

Alguns autores descrevem o Umbral como uma seqüência de anéis que envolvem e interpenetram o planeta Terra, indo desde o seu núcleo de magma até várias camadas para fora de seus limites físicos. O que acontece é que os espíritos se reúnem obedecendo, apenas e unicamente, à sintonia entre si e acabam formando anéis energéticos em torno do planeta, ou melhor, em torno da humanidade terrena, pois ela é parte da humanidade espiritual que o habita e é também o foco de atenção de todos os desencarnados ligados a ele.

As camadas descritas em alguns livros são mais um recurso didático para facilitar o entendimento e o estudo do mundo espiritual, pois não há limites precisos entre elas, assim como não há divisas exatas entre um bairro e outro de uma mesma cidade, ainda que eles sejam de classes sociais bem diferentes. Ese mesmo mecanismo de sintonia é o que cria regiões “especializadas” no Umbral, como o Vale dos Suicidas, descrito por Camilo Castelo Branco, pela psicografia de Yvonne A. Pereira, em seu livro "Memórias de um Suicida". Espíritos com experiências de suicídio, vivendo os mesmos dramas, sofrimentos, dificuldades, agrupam-se por pura afinidade e formam regiões vibratórias específicas.

Assim também acontece com faixas energéticas ligadas às drogas, ao aborto, aos distúrbios psíquicos, às guerras, aos desequilíbrios sexuais, etc. Apesar de toda perturbação e desequilíbrio dos espíritos que vivem no Umbral, não devemos nos iludir. Existe muita disciplina, organização e hierarquia nos ambientes umbralinos. É o que nos mostra, por exemplo, o espírito Ângelo Inácio, pela psicografia de Robson Pinheiro, em seu livro "Tambores de Angola", e o espírito Nora, pela psicografia de Emanuel Cristiano, em seu livro "Aconteceu na Casa Espírita". Vemos ali o quanto esses espíritos podem ser inteligentes, organizados, determinados e disciplinados em suas práticas negativas, criando instituições, métodos, exércitos e até cidades inteiras para servir aos seus propósitos.

É preciso que compreendamos que todos nós já estamos vivendo numa dessas “camadas” de Umbral que envolvem a Terra e que todos nós criamos o nosso próprio Umbral particular sempre que contrariamos as leis divinas universais, as quais podem ser resumidas numa única expressão: amor incondicional. Mas o Umbral não é um mundo só de desencarnados. Muitos projetores conscientes (encarnados que fazem projeções astrais conscientes) narram passagens por regiões escuras e densas, semelhantes às descrições de André Luiz em "Nosso Lar".

Todos os encarnados desprendem-se do corpo físico durante o sono e circulam pelo mundo espiritual. Esse é um fenômeno absolutamente natural e inerente a todo espírito encarnado. Uma grande parte continua a dormir em espírito, logo acima de onde está descansando o corpo físico. Outros limitam-se a passear inconscientes pelo próprio quarto ou casa, repetindo, mecanicamente, o que fazem todos os dias durante a vigília.

E há os que saem de casa e vão além. Dentre estes, uma pequena parte procura manter uma conduta ética elevada, 24h por dia, tentando sempre melhorar-se como pessoa, buscando sempre ajudar e crescer e, muitas vezes, é levada ao Umbral em missão de resgate ou assistência, trabalhando com espíritos mais preparados, doando suas energias pelo bem de outros espíritos. Mas há um grande número dos que conseguem sair de seu próprio lar durante o sono e vão para o Umbral por afinidade, em busca daquilo que tinham em mente no momento em que adormeceram ou obedecendo a instintos e desejos inferiores que, embora muitas vezes não estejam explícitos na vigília, estão bem vivos em sua mente e surgem com toda força quando projetados.

Essas pessoas, muitas vezes, acabam sendo vítimas de espíritos profundamente perturbados ligados ao Umbral que as vampirizam e manipulam, em alguns casos chegando até a interferir em sua vida física, criando problemas familiares, doenças, perturbações psicológicas, dificuldades profissionais e financeiras, etc.

Vemos, assim, que o Umbral, de que falam André Luiz e tantos outros autores encarnados e desencarnados, está mais próximo de nós, encarnados, do que muitos de nós imaginam. E, o que é mais importante, somos nós mesmos que ajudamos a manter esse mundo denso com nossos pensamentos e sentimentos menos elevados.

Somos nós que damos aos espíritos perturbados, que se encontram ligados a essa faixa vibratória, grande parte da matéria-prima de que se valem para sutentar seu mundo de trevas e sofrimento. O Umbral está em todo lugar e em lugar nenhum, pois está dentro de quem o cria para si mesmo e acompanha o seu criador para onde quer que ele vá.

Toda vez que nos deixamos levar por impulsos de raiva, agressividade, ganância, inveja, ciúmes, egoísmo, orgulho, arrogância, preguiça, estamos acessando uma faixa mais densa desse Umbral. Toda vez que julgamos, criticamos ou condenamos os outros, estamos nos revestindo energeticamente de emanações típicas do Umbral. Toda vez que desejamos o mal de alguém, que nos deprimimos, que nos revoltamos ou entristecemos, criamos um portal automático de comunicação com o Umbral. Toda vez que nos entregamos aos vícios, à exploração dos outros, aos desejos de vingança, aos preconceitos, criamos ligações com mentes que vibram na mesma faixa doentia e estão sintonizadas com o Umbral. O Umbral só existe porque nós mesmos o criamos, e só continuará existindo enquanto nós mesmos insistirmos em mantê-lo com nossos desequilíbrios.

O Umbral é nosso também, faz parte do nosso mundo e não podemos renegá-lo ou simplesmente ignorá-lo. Assim como não podemos também fingir que não temos nada a ver com ele. Lá estão também algumas de nossas próprias criações mentais, de nossos sentimentos inferiores, de nossos pensamentos mais densos. E lá vivem espíritos divinos como nós, temporariamente desviados do caminho de luz em que foram colocados por Deus.

Por isso é importante que não vejamos o Umbral como um lugar a ser evitado ou uma idéia a não ser comentada, mas como desequilíbrio espiritual temporário de espíritos como nós que, muitas vezes, só precisam de um pouco de atenção e orientação para se recuperarem e voltarem ao curso sadio de suas vidas. É comum encontrarmos médiuns e doutrinadores que têm medo ou aversão ao trabalho com espíritos do Umbral, evitando atendê-los, ignorando-os friamente ou tratando-os como criminosos sem salvação que não merecem qualquer compaixão ou respeito.

Estas pessoas esquecem-se de um dos preceitos básicos da espiritualidade: a caridade. Os habitantes do Umbral não são nossos inimigos, mas espíritos que precisam de compreensão e ajuda. Não são irrecuperáveis, mas perderam o rumo do crescimento espiritual. Não estão abandonados por Deus, mas não sabem disso e desistem de procurar orientação. Não são diferentes de nós, mas tão semelhantes que vivem lado a lado conosco, todos os dias, observando nossos atos, analisando nossos pensamentos, vigiando nossos sentimentos, prestando atenção às nossas atitudes.

E, se não queremos ir ao Umbral por afinidade, que nos ocupemos em nos tornar seres humanos melhores, mais dignos, mais éticos, 24h por dia. Desse modo, nossa passagem pelo Umbral será sempre na condição de quem leva ajuda sem medo, sempreconceito e sem sofrimento, e não de quem precisa de ajuda para superar seus próprios medos, preconceitos e dores.

(Maísa Intelisano)

Artigo originalmente escrito para a revista Espiritismo e Ciência, da Editora Mythos e publicado na edição 16 - Ano 2 fonte: http://somostodosum.ig.com.br/clube/artigos.

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