"> COMUNICADOS, EVENTOS, PUBLICAÇÕES - O FILME DOS ESPÍRITOS - ALLAN - ASTROLOGIA CÁRMICA | Bloguez.com
 

O FILME DOS ESPÍRITOS - ALLAN KARDEC

Added 23/9/2011



Um dos filmes brasileiros mais aguardados de 2011, O Filme dos Espíritos, chega aos cinemas no dia 07 de outubro, com distribuição da Paris Filmes. Dirigido por André Marouço e Michel Dubret, o longa metragem traz às telas Nelson Xavier, Sandra Corveloni, Etty Fraser, Ana Rosa e a participação especial de Luciana Gimenez, entre outros.

"Alguns livros podem mudar uma vida. Outros, o que vem depois dela". O filme conta a história de Bruno Alves, que por volta dos 40 anos, perde a mulher e se vê completamente abalado. Desempregado e profundamente desiludido, o suicídio lhe parece a única saída. Quando está prestes a desistir de tudo, recebe um exemplar do Livro dos Espíritos, codificado por Allan Kardec. A partir daí, inicia uma jornada de transformação e conhecimento. No desenrolar da narrativa, os caminhos de outros personagens se cruzam, assim como suas histórias de superação e luta.

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OLIMPIADAS 2016 RIO DE JANEIRO (BR)

Added 3/6/2010

 

Solar City Tower

torre e tocha acesa

O desafio passou por conceber uma estrutura vertical localizada na ilha de Cotonduba que, além de ter a função de torre de observação, se torne num símbolo de boas-vindas para quem chegar ao Rio de Janeiro por via aérea ou marítima, uma vez que esta será a cidade anfitriã dos Jogos Olímpicos de 2016.

Projetada pelo gabinete RAFAA, sediado em Zurique, na Suíça, e denominada «Solar City Tower», esta estrutura foi escolhida como a resposta adequada à proposta inicial e tem a potencialidade de gerar energia suficiente não só para a aldeia olímpica, como para parte da cidade do Rio.

 

torre e pedra

 

A sua concepção permite-lhe aproveitar a energia solar diurna através de painéis localizados ao nível do solo, ao mesmo tempo que a energia excessiva produzida é canalizada para bombear água do mar pelo interior da torre, produzindo um efeito de queda de água no exterior. Esta água é simultaneamente reaproveitada através de turbinas com o objetivo de produzir energia durante o período noturno.

 

torre e catarata

 

Estas características permitem atribuir o epíteto de torre sustentável a este projeto, dando continuidade a alguns dos pressupostos do «United Nation´s Earth Summit» de 1992, que ocorreu igualmente no Rio de Janeiro, contribuindo para fomentar junto dos habitantes da cidade a utilização dos recursos naturais para a produção de energia.

 

torre nas nuvens 

 

A Solar City Tower engloba ainda outras funcionalidades. Anfiteatro, auditório, cafeteria e lojas são acessíveis no piso térreo, a partir do qual se acede igualmente ao elevador público que conduzirá os visitantes a vários observatórios, assim como a uma plataforma retrátil para a prática de bungee jumping.

 

torre e praia copa

 

No cimo da torre é possível apreciar toda a paisagem que circunda a ilha onde estará implementada, bem como a queda de água gerada por todo o sistema que integra a Solar City Tower, tornando-a num ponto de referência dos Jogos Olímpicos de 2016 e da cidade do Rio de Janeiro.

 

Daqui pra frente testemunharemos coisas assombrosas acontecendo...

Porque o FUTURO começou ontem !!!

 

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WESAK - A LUA CHEIA DE BUDA

Added 29/4/2010

 

Existe uma ênfase crescente dada pelos esotéricos ocidentais para a Lua Cheia de Maio, que é o festival do Buda e ocorre na ocasião em que Ele faz o seu contacto anual com a Humanidade. Esta ênfase, que continuará nos próximos anos, não foi trazida para impor o reconhecimento de Buda no Ocidente. Há duas razões pelas quais, desde 1900, esse esforço foi feito. Uma foi o desejo, por parte da Hierarquia, de trazer à atenção do público o fato de que dois Avatares, Buda e Cristo, do Raio de Amor-Sabedoria, foram os primeiros de nossa humanidade a chegarem como Avatares humano-divinos e a incorporar em si mesmos certos Princípios Cósmicos e dar-lhes forma. Buda incorporou o Princípio de Luz e, por causa de sua Iluminação, a humanidade foi capacitada a reconhecer Cristo, que incorporou o Princípio ainda maior de Amor. O ponto que deve nascer na mente é o de que luz é substância, e o Buda demonstrou a consumação de substância-matéria como meio da Luz e por isso é que tem o título de “O Iluminado”. Cristo corporificou a energia da Consciência. Um demonstrou a elevação do alcance do terceiro aspecto divino; o outro, do segundo aspecto divino e os dois juntos representam um Todo perfeito. A segunda razão foi para iniciar o tema da nova religião mundial. Este tema ligará todas as observâncias religiosas, colorirá todas as aproximações ao centro divino da vida espiritual, fornecerá a chave para todos os processos de cura e –usando a luz cientificamente – governará todas as técnicas para trazer a unidade de consciência e as relações entre o homem e sua alma e entre o homem e a Hierarquia.

Muitas pessoas de todo o mundo tem sido treinadas durante anos para reconhecer duas coisas. Primeiro, a importância do Festival de Wesak por ocasião da Lua Cheia de Touro, não somente porque ele liga a maior religião do Oriente com a maior Fé do Ocidente, mas porque esotericamente ele fornece a chave para abrir a porta entre Shambala e a Hierarquia, entre o propósito de Deus (ainda não identificado pelo homem) e o método de Deus, que é Amor; ele também faz a conexão entre o Buda, temporariamente corporificando vontade-sabedoria  e o Cristo, corporificando amor-sabedoria, e também entre a humanidade, concentrada na consciência através de Cristo e a Hierarquia, centralizada na consciência através do Buda.

O retorno anual do Buda para abençoar seu povo em todas as partes e para transmitir a mensagem de sabedoria, luz e amor para a humanidade – vindo como Ele o faz, do coração da Deidade de seu Eu Sou – é a evidência exterior e a garantia da orientação divina interna e revelação no atual ciclo mundial de 2500 anos. Ano após ano Ele retorna. Por um breve instante Ele nos relembra de que Deus existe e ama sempre; que Ele não se esquece de Seu povo; que o coração do universo é compaixão inalterável e que o homem não está sozinho. Para trazer este reconhecimento e para que a aparição seja possível, um Triângulo vivo de Energia é criado e focalizado através de três grandes Indivíduos espirituais, que evocam reconhecimento tanto do Leste quanto do Oeste. Eles são conhecidos pelos crentes de todas as fés e de todas as nacionalidades. Estes Três são:

1.  O Senhor do Mundo, o Ancião dos Dias, Sanat Kumara, o Logos planetário, Melquisedec, Aquele a quem Cristo se referiu quando Eles disse: “Eu e Meu Pai somos Um”.

2.  O Buda, o Iluminado, o Revelador da Luz e da sabedoria que vem a nós de fontes muito maiores que a nossa vida planetária, um Mensageiro dos Deuses.

3.  O Cristo, o Filho de Deus, o Salvador do Mundo, o Redentor. Aquele que permaneceu conosco e que está juntando seu rebanho em seu manto, o Senhor do Amor.

Nestes três, cuja natureza é Amor e Luz radiantes, a humanidade pode, de alguma forma, alcançar a natureza da divindade. Eles são maiores do que é conhecido ou percebido; a inteligência e a aspiração humanas somente podem sentir Sua natureza essencial. Sua Potência espiritual tem que ser diminuída se a humanidade for sentir a pressão do impacto da energia em que Eles vibram e procuram transmitir. É o processo de baixar essa energia que ocorre na Lua Cheia de Maio, e ela é trazida para um “foco de transmissão” pela intenção em massa dos aspirantes e discípulos do mundo – ela mesma puxada pela necessidade em massa dos povos de todas as terras.

A cada ano por ocasião de Wesak, Buda se comunica com a humanidade, através de Cristo e da Hierarquia. Ele atua desta maneira como um agente trazendo as relações entre “o centro onde a vontade de Deus é conhecida” e o “centro a que chamamos a raça dos homens”. Estas duas frases são usadas com cautela porque todo o trabalho sendo feito atualmente por esses dois grandes Filhos de Deus está relacionado com a distribuição de energia – energia da Luz e energia do Amor. É através do Triângulo, já mencionado, que a energia da vontade eventualmente será distribuída e um desses distribuidores divinos é o Buda.  

O Espírito da Paz, que é invocado na segunda frase – “Que o Espírito da Paz se espalhe em todos os lugares” – é aquela misteriosa e divina Entidade com Quem Cristo se relacionou e Cuja influência atuou através Dele na ocasião em que Ele teve direito ao título de “Príncipe da Paz”. O Cristo incorporou em Si o princípio cósmico do amor, a expressão do qual em manifestação trabalhará como “Glória de Deus, Paz na Terra e Boa Vontade para com os homens”. Isto foi testemunhado pelos anjos por ocasião de seu nascimento. Quando Ele expressou este princípio de amor em sua vida e em Seu serviço ao mundo, Ele definitivamente fez a conexão entre nosso planeta e a humanidade (em particular) com a Fonte de Luz, Amor e Vida à qual nos referimos na segunda frase. Esta foi a salvação do mundo que Ele trouxe, um fato que ainda é pouco  percebido e que não será amplamente reconhecido até que esta poderosa Invocação tenha exercido o seu devido efeito.

Quando os aspirantes e discípulos do mundo usam esta Invocação, a primeira frase leva a consciência para a Hierarquia de Luz, que é o centro intermediário entre a Humanidade e Shambala. Ela serve então para enfatizar e estabelecer uma relação íntima, fundindo os centros humanos e os hierárquicos. Após isto ocorrer, a Hierarquia pode então usar esta Grande Invocação com maior potência e pode conduzir a relação a um estado mais elevado e produzir uma fusão com o centro Shambala, onde as Forças da Luz são encontradas como presenças incorporadas e onde Sua energia focalizada serve para prover grandes reservatórios de Luz e de Amor.

Estas ainda não estão disponíveis para distribuição planetária, devido à falta de relação estabelecida entre os três centros: Humanidade, Hierarquia e Shambala. Essa relação agora está começando a ser estabelecida; o fluxo de Luz e Amor para a humanidade agora é possível se os discípulos e aspirantes do mundo puderem ser guiados a fazer o esforço necessário para sustentar-se como seres espirituais e desta atenta atitude de equilíbrio, invocar estas grandes Entidades. É a essa possibilidade que o Novo Testamento se refere quando é feita uma citação à lagoa   que era agitada pelo Anjo de tempos em tempos e onde foi produzida uma condição que levou à cura dos enfermos. O Anjo da Presença, a alma da humanidade, como corporificado na Hierarquia e aqueles que conscientemente estão se empenhando para funcionar como almas podem agora agitar esses reservatórios de Força e Luz nos planos etéricos de Shambala de forma que uma definitiva “cura das nações” possa ocorrer.

Quando idéia trazida pela Grande Invocação possa ser elevada o suficiente na consciência daqueles que a estiverem usando através de um esforço conjunto dos discípulos do mundo e da Hierarquia de Luz – e também com o reforço das Forças da Luz – então o Espírito de Paz poderá ser invocado.

Numa das voltas inferiores da espiral, vocês notarão que o Festival de Wesak efetua uma invocação e um processo similares. Nesse tempo, lá, os três Representantes de Shambala na Hierarquia, o Manu, o Cristo e o Maha Chohan, invocam o Buda que por sua vez é o transmissor de Forças ainda mais elevadas. Ele é invocado por um mantra especial e transmite o apelo Àquele de Quem Ele é agente. Se esta grande Invocação for feita corretamente, os três grandes centros planetários podem ser relacionados de uma maneira similar. O Senhor da civilização, o Mestre R., representando a humanidade, Cristo representando a Hierarquia e o Senhor do Mundo, conectados através do Manu e representando Shambala podem ser trazidos numa relação próxima, cujo resultado será o estabelecimento de uma vibração tão poderosa que o Espírito da Paz será invocado e contactado. Pelo apelo vocal Sua atenção será forçada a se voltar para o nosso planeta. As conseqüências serão potentes e significantes. Não se sabe ainda de que forma isso ocorrerá. Talvez isso conduza a alguma demonstração peculiar e poderosa do significado da paz como expressão do amor universal e planetário; talvez produza o envio de um Avatar ou Mensageiro de Paz para guiar as nações à ação correta; talvez ocorra algum acontecimento de grande significado, que sua importância será imediatamente será imediatamente reconhecida pela humanidade como um todo, levando-a a dar todos os passos necessários para restaurar corretamente as relações humanas. A natureza das atividades que o Espírito de Paz instituirá não é nossa responsabilidade. Nosso dever é aprender a contactar corretamente a Hierarquia, através de nossas próprias almas.; usar corretamente a grande Invocação como almas e nos render corretamente, responsivos e sensíveis aos efeitos resultantes.

Note-se que as Forças da Luz se expressam através da Hierarquia de Luz e Seu maior efeito é a Iluminação das mentes dos homens com amor e luz. Isto é precipitado no plano mental. A personalidade do aspecto da forma da humanidade é assim penetrada e iluminada. Assim o terceiro grande centro planetário, a Humanidade, se torna criativa e magnética e dois aspectos divinos, inteligência e amor, atingirão o gozo no plano físico, tornando possível para o primeiro aspecto e a vontade de Deus (conhecido pela humanidade como o Plano) serem trazidos conscientemente à Terra, em conformidade com a atividade instituída em Shambala. A vontade d deus é o propósito e isto, pela primeira vez, está para ser reconhecido conscientemente pelo homem.

O Espírito de Paz, quando chegar o tempo, vitalizará as capacidades de resposta da humanidade, através da influência da Hierarquia, para a vontade de Deus, que tem por intenção básica trazer a paz à terra. O que é Paz? É essencialmente o estabelecimento das relações humanas corretas, de relação sintética com sua cooperação resultante, de correta interação entre os três centros planetários e uma compreensão cheia de amor, iluminada, da vontade de deus, à medida que ela afeta a humanidade e alcança o intento divino. É por essa razão que Cristo, que estabeleceu pela primeira vez na história planetária, um contacto entre a Hierarquia, a humanidade, Shambala e o Espírito da Paz em Seu próprio elevado lugar, em Sua própria elocução registrada disse que Ele devia cumprir os assuntos de Seu Pai e depois, no final de Sua vida, reiterou a mesma idéia com as palavras: “Pai, que seja feita tua vontade, não a minha”, assim levando o pensamento para o plano mais alto, pois Ele se dirigiu ao Pai, o primeiro aspecto da Divindade. Ele então focalizou em si mesmo os dois maiores atributos e aspectos divinos – Vontade e Amor (atma-buddhi) – e devido a isto, Sua consciência tornou-se extra-planetária, assim com é a consciência do Senhor do Mundo e Ele pode então tocar certas alturas de percepção e contactar certas Agências solares que nunca haviam antes sido contactadas pelo homem. Este feito O capacitou a colocar a Humanidade em conexão com o Espírito de Paz. Então ele mesmo se tornou a Luz do Mundo e o Príncipe da Paz.

Desta maneira, Shambala  e a Hierarquia foram trazidas para um relacionamento próximo e duas grandes correntes de força foram fundidas e uma interação definitiva ocorreu entre elas. O Buda, através de sua capacitação para a Iluminação estabeleceu a primeira ligação maior com as Forças da Luz. O Cristo, através de sua capacidade para expressar a vontade de Deus em Amor e como Salvador do mundo, estabeleceu a primeira ligação maior com o Espírito de Paz.

No festival de Wesak há três fatores de importância para a Humanidade:

1. O Buda, a corporificação ou o agente das Forças da Luz pode ser contactado e aquilo que Elas procuram trazer para a Humanidade, pode ser apropriado conscientemente.

2. O Cristo, a corporificação do Amor e da Vontade de Deus e o agente do Espírito de Paz, pode também ser contactado e a humanidade pode ser treinada para se adaptar a este tipo de energia extra-planetário.

3. Através do Cristo e do Buda, a humanidade agora pode estabelecer uma relação mais íntima com Shambala e então dar a sua própria contribuição, como centro planetário, para a vida planetária. Penetrada pela Luz e controlada pelo Espírito de Paz, a expressão da vontade para o Bem da humanidade pode emanar poderosamente deste terceiro centro planetário.A humanidade então, pela primeira vez, empreenderá sua missão destinada, como  intermediário inteligente, com muito amor, entre os estados elevados de consciência planetária , os estados supra-humanos e os reinos sub-humanos. Assim a humanidade eventualmente irá tornar-se o salvador do planeta.  

Quando um inteiro conjunto de pessoas é animado por um único desejo superior, quando suas auras se misturam e se fundem e formam um canal unido para o fluxo que desce, o efeito é tremendamente intensificado e seu raio pode abranger o mundo. Vocês tem um exemplo disto no maravilhoso Festival de Wesak, comemorado tão universalmente na Índia neste dia, quando a própria Hierarquia se transforma num canal para a transmissão de poder e bênçãos desde os níveis em que se encontra o Buda. Ele age como um ponto focal para esse poder, e passando-o através de sua Aura, derrama-o sobre a humanidade por meio do canal fornecido pela assembléia dos Senhores, dos Mestres iniciados graduados e discípulos. Este canal é formado pelo uso de som e de ritmo, empregados simultaneamente. Pelo canto de um certo mantra, através de movimentos leves, medidos, que acompanham o canto, o funil é formado e ele alcança desde cima até a localidade desejada. As figuras geométricas formadas na matéria do plano mais elevado que o físico se transformam, elas mesmas, em maravilhosas avenidas de aproximação do centro de bênçãos para os habitantes, devas ou outros, de qualquer plano particular. Para aqueles que tem vidência, a beleza das formas geométricas é inacreditável, e aquela beleza é aumentada pelas auras radiantes dos Grandes que são reunidos ali.

Enquanto vocês preparam seus próprios corações, lembrem-se de que a Lua Cheia de Touro é a ocasião em que o Novo Grupo de Servidores do Mundo e todos os povos esotéricos e espiritualmente orientados do mundo devem trabalhar em total cooperação com o Buda, e de que a Lua Cheia de Gêmeos é a oportunidade para as pessoas de boa vontade, auxiliadas pelo Novo grupo de Servidores do Mundo, para despertar povos em todos os locais e fazer um grande apelo, e por este apelo fazer com que o Cristo invoque para eles o auxílio necessário.

 

Textos selecionados dos trabalhos de Alice Bailey (1888-1949)
http://www.speakeasy.org/~raymondw/Wesakhistory.html

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CEM ANOS DE CHICO XAVIER

Added 12/3/2010

O médium de vida simples que se tornou o principal ícone do espiritismo tem seu centenário festejado com grandes produções no cinema, no teatro e na literatura

O FILME 
Uma Minas Gerais agrária e bucólica é o pano de fundo adequado para a história de um menino em constante turbulência interna. Ele ouve vozes e vê pessoas mortas. Tachado de maluco, o garoto, nascido Francisco de Paula Cândido Xavier, sofre muito, especialmente nas mãos de uma madrinha católica que o considera pactuado com o diabo. A história deste menino que virou o maior médium brasileiro está contada no filme “Chico Xavier”, de Daniel Filho, que estreia no dia 2 de abril, data em que ele completaria 100 anos, se não tivesse desencarnado, como dizia, oito anos atrás. O fi lme — a que ISTOÉ assistiu em primeira mão (leia quadro) — é o carro-chefe de uma série de produções e homenagens, como lançamentos de livros, fi lmes inspirados em obras psicografadas, selo, exposições e seminários. Até uma novela da Rede Globo, que tem o espiritismo como tema, estreia, coincidentemente, no mês do centenário: “Entre Dois Amores”, escrita por Elizabeth Jhin.

O médium, cultuado em vida, ganha, na comemoração de seus 100 anos, visibilidade de superstar e vira fenômeno de mídia, algo que nunca esteve entre suas pretensões. Se existe mesmo vida após a morte, Chico Xavier deve estar feliz: seu legado ultrapassa, hoje, as barreiras religiosas e ele é reconhecido como o maior líder espiritual que o Brasil já teve. O espantoso alcance da obra de Chico Xavier explica tamanha agitação em torno de seu centenário. Mesmo quem não acredita em reencarnação, respeita este homem que psicografou mais de 400 livros e doou os direitos autorais de todos eles a obras de caridade. Chico Xavier viveu em uma casa humilde e levou vida modesta. É de Nelson Xavier, o ator com impressionante semelhança física com o médium e que o interpreta na fase adulta, a síntese de sua existência: “Ele viveu, efetivamente, o ‘amai-vos uns aos outros.’” O ator admite que o filme modificou suas crenças. “Como todo socialista eu também acreditava que o caminho da violência era o único possível, que os privilégios jamais serão abolidos sem confronto. Mas, agora, penso diferente.

VIDA E OBRA
O Chico me mostrou que o caminho do amor é que é o único possível.” A pregação do médium é comparada, hoje, à de Buda: mais ligada a uma filosofia de vida do que a uma religião. “A doutrina espírita pregada por Chico Xavier esclarece, conforta e consola”, resume o escritor Gérson Monteiro, também diretor da primeira rádio espírita do País, a Rádio Rio de Janeiro, e que vai lançar, este ano, “O que Ensina o Espiritismo” (Mauad). Sua análise coincide com a de Eurípedes Higino dos Reis, 60 anos, fi lho adotivo e herdeiro da patente Chico Xavier. “Meu pai não era procurado só por espíritas. Ao contrário, 70% das pessoas que o procuravam tinham outras religiões”, afi rma Reis. A expansão do espiritismo no Brasil está profundamente ligada à fi gura de Chico Xavier, que, para muitos, surgiu para complementar e atualizar os ensinamentos de Allan Kardec, o pai do espiritismo. O fi lão literário foi puxado por ele desde que publicou, aos 22 anos, sua primeira obra, “Parnaso de Além- Túmulo”. Hoje, existem no País aproximadamente 100 editoras especializadas e quatro mil títulos no mercado. Ao publicar obras romanceadas, o médium brasileiro cria uma nova forma, calcada mais na emoção, subjetividade e no lirismo, de apresentar a religião às pessoas.

Antecessores como Kardec e Bezerra de Menezes redigiram, basicamente, livros doutrinários que mais se assemelhavam a tratados de sociologia, um trabalho mais científico e racional. “O romance espírita é um dos legados de Chico”, afirma Eduardo Re alefsky, pesquisador de comunicação religiosa da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro/UFRJ. “Kardec foi racional do início ao fim. Já Chico, colocou em prática um vasto conteúdo sentimental.” O médium também é responsável por deixar impressa uma nova visão, quase milenarista, do papel do Brasil dentro do desenvolvimento da doutrina espírita. Em um de seus livros, Chico Xavier defende a ideia de que o País seria o principal veículo para a difusão do espiritismo no mundo. “Coincidência ou não, o Brasil é considerado o local onde as ideias das religiões tiveram o maior desenvolvimento, ainda que a maior parte dos espíritas permaneça invisível para o IBGE”, diz Re alefsky, referindo-se ao Censo de 2000 que aponta como espíritas apenas 3% da população. Chico Xavier é o autor brasileiro de maior sucesso. Ele já vendeu quase o dobro dos livros de Paulo Coelho, nossa referência de best-seller literário. Seus 458 livros somam aproximadamente 45 milhões de cópias vendidas, segundo Cesar Perri, diretor da Federação Espírita Brasileira. “Somente ‘Nosso Lar’ tem 2,5 milhões de edições comercializadas em 15 idiomas”, afirma.

Não por acaso, este livro também vai virar fi lme, sob a direção de Wagner de Assis. E, ao contrário do longa de Daniel Filho, será repleto de efeitos especiais, que foram supervisionados por Geoff D. E. Scott, da empresa canadense Intelligent Creatures (“Watchmen” e “Babel”, entre outros). “O filme se passa, em grande parte, numa cidade localizada em um outro plano, o espiritual. Este é o maior motivo da grande presença dos efeitos”, explica a produtora Eliane Britz. “É importante que o público acredite que as ações estão acontecendo em uma cidade praticamente real. Isso é fundamental para a história”, acrescenta ela. A previsão é de estreia em setembro. Outros três fi lmes também serão lançados – “E a Vida Continua”, com direção de Paulo Figueiredo, “As Cartas”, de Cristiana Grumbach, e “As mães de Chico Xavier”, com três assinaturas na direção, Glauber Filho, Joel Pimentel e Halder Gomes – todos baseados em obras psicografas pelo médium. Ao contrário, “Chico Xavier” é o único biográfi co. Grande parte da trama foi fi lmada em Tiradentes, Minas Gerais, onde aconteceram alguns fenômenos. Certo dia, uma forte chuva que caía sobre a cidade só não atingia o set de filmagem.

O médium popularizou a doutrina espírita ao criar obras romanceadas, calcadas na emoção

Quando o diretor finalizou o trabalho e disse “Corta!”, a chuva despencou também no local onde artistas e técnicos estavam. “Chamo isso de sincronia de sinais”, disse Ângelo Antônio, um dos “Chicos” da produção. Ele se refere não somente a este episódio. O ator conta um outro fato surpreendente. A pedido de sua mãe, que conheceu o médium pessoalmente, ele interpretou um momento em que seu personagem recebia mensagens. A mãe, então, pediu que ele perguntasse ao espírito de Chico como estava a saúde dela. “E eu fui escrevendo. Depois, quando fui ler, era uma receita dizendo que ela deveria consumir fl or de mamão em determinada hora do dia.” Ele não sabe por que escreveu aquilo. Mas foi uma indicação certa: “Minha mãe estava com problemas no intestino, embora eu ainda não soubesse”, relembra. Para registrar estes fenômenos, a editora LeYa lançará outro livro de Marcel Souto Maior sobre os bastidores da produção.“Chico Xavier, a História do Filme de Daniel Filho” chegará às prateleiras também no dia 2 de abril, com tiragem inicial de 50 mil exemplares. “Conversei com o Tony Ramos, que é muito católico, sobre como foi estar no filme que fala do maior líder espírita do País.

Chico Xavier Superstar
O médium de vida simples que se tornou o principal ícone do espiritismo tem seu centenário festejado com grandes produções no cinema, no teatro e na literatura.

Chico passou a juventude em Pedro Leopoldo, de onde saiu por se sentir perseguido
Após a exibição do filme para a equipe, ele era um dos que mais se emocionaram”, conta Souto Maior. Até personagem de história em quadrinhos o médium será. Com desenhos de Rodolfo Zalla e roteiro de Franco de Rosa, “Chico Xavier em Quadrinhos” (Ediouro) contará a história da vida dele e trará, também, alguns textos psicografados pelo médium. O jeito calmo, humilde e simples dá a Chico Xavier uma aparência de fragilidade. Para conseguir repassar essa característica em seu fi lme, Daniel Filho disse ter pedido aos três atores que o interpretam em seu longa para mergulharem no universo do líder espiritual. “Eles ficaram em Uberaba durante algum tempo. Lá, foram cedidas roupas dele ao Nelson (Xavier) e um perfume ao Ângelo (Antônio). E o garoto (Matheus Costa) não rodou uma cena sem, antes, sentir a essência do perfume que ele usava”, conta Daniel Filho. Além de todas as obras culturais que divulgarão o nome de Chico Xavier e a doutrina espírita no Brasil, este ano, uma novela da Rede Globo, “Entre Dois Amores”, colocará em confronto a questão da vida após a morte e a ciência. “Tenho grande interesse pelo tema espiritualidade e pensei que podia trazer para a trama inquietações pelas quais todos passamos: De onde viemos? Para onde vamos?”, diz a autora do folhetim, Elizabeth Jhin.

POPULAR 
Ele era muito querido pelo público.
Ela vai reproduzir a inquietação natural entre esses dois mundos aparentemente antagonistas defi nitivos, a ciência e a espiritualidade. Superstar também nas artes cênicas, a peça “Além da Vida” já foi vista, em diversas remontagens, por mais de dois milhões de pessoas – e voltará à cena, em abril, no Teatro Corinthians, em São Paulo. O ator e diretor do espetáculo, Renato Prieto, monta peças espíritas há 25 anos pelo Brasil afora e diz ser testemunha da fé leiga nos ensinamentos do médium. “As pessoas vão às minhas peças em busca de respostas: ‘De onde eu vim?’ ‘O que vim fazer aqui?’ ‘Para onde vou após desencarnar?’ E elas saem do teatro com um conceito que as tranquiliza”, diz Prieto. A esperança e a possibilidade de paz são os principais motes da obra de Chico Xavier. Uma de suas frases mais recorrentes – que ele dizia ter sido formulada pelo guia espiritual Emmanuel – afirma que “ninguém pode voltar atrás e fazer um novo começo. Mas qualquer um pode recomeçar e fazer um novo fim.”
Colaboraram: Adriana Prado, Caio Barretto Briso, Maíra Magro, Rodrigo Cardoso e Francisco Alves Filho

FILME PARA ARREBATAR MULTIDÕES
O diretor Daniel Filho, Nelson Xavier e Ângelo Antônio, que vivem o médium

O filme “Chico Xavier”, de Daniel Filho — ao qual ISTOÉ assistiu em primeira mão —, carrega uma extraordinária carga de emoção e deverá levar muita gente às lágrimas. Ainda menino, Chico (Matheus Costa) apanha muito da madrinha Rita (Giulia Gam em aparição relâmpago, mas brilhante), que chega a espetá-lo com um garfo na barriga. Jovem, já na pele de Ângelo Antônio, ele perde um de seus 13 irmãos, justamente o seu “braço direito”, vítima de derrame. No enterro, o pai diz, aos gritos, que ele é uma farsa incapaz de salvar alguém. O Chico adulto é interpretado por Nelson Xavier — que mais parece uma materialização do médium. E Christiane Torloni assina uma das cenas mais emocionantes quando sua personagem, Glória, entra no quarto do fi lho que já morreu e, abraçada a uma cama vazia, chora sua dor. Muitos espectadores vão se perguntar como a atriz, que perdeu um fi lho num acidente de carro na vida real, conseguiu encarar o papel. “Ela se concentrou, chorou, reviveu aquilo. Deixou aparecer a dor, deixou passar a realidade. Fico emocionado ao dizer isso porque o filho que ela perdeu era um afi lhado meu. E isso, inclusive, foi o que me deu coragem para fazer o convite”, disse Daniel Filho.

Baseado no livro “As Vidas de Chico Xavier”, de Marcel Souto Maior, o roteiro não foge das acusações de falsário que também existiram na vida do médium. Numa sessão espírita, uma mulher cospe em Chico Xavier dizendo que a carta que lhe entregara como sendo do filho desencarnado era uma grosseira fraude. Também um ex-assistente e sobrinho do médium, revoltado porque o tio o repreendera por cobrar consultas, dá entrevistas dizendo que as conversas com espíritos eram armação. Por incrível que pareça, um ombro amigo dos mais fiéis, desde a infância, é um padre católico (Pedro Paulo Rangel). No dia em que este padre morre, entretanto, Chico é escorraçado do velório pelo padre substituto (Cássio Gabus Mendes) — que se torna um obstinado pregador contra ele.
Mas nem tudo é tristeza. Também há humor. Como no dia em que o médium decide começar a usar uma ridícula peruca para esconder a calvície ou quando grita tanto dentro de um avião em turbulência que seu guia espiritual aparece para um curioso papo-cabeça. Afinal, não fica bem um médium ter tanto medo de morrer. Ao final, enquanto rolam os créditos, há imagens do próprio Chico relatando o episódio no programa “Pinga-Fogo”, da extinta TV Tupi. O elenco conta, ainda, com estrelas como Letícia Sabatella, Giovanna Antonelli, Tony Ramos, Cássia Kiss, Paulo Goulart e Luis Melo.

ELE AINDA ESTÁ PRESENTE
Como a memória do maior líder espírita do Brasil continua viva nas cidades mineiras onde ele construiu sua obra
Rodrigo Cardoso, de Pedro Leopoldo e Uberaba (MG)

Francisco Cândido Xavier nasceu há 100 anos, em 2 de abril, em Pedro Leopoldo, e morreu oito anos atrás, em Uberaba. Cidades mineiras distintas – mais modesta, a primeira tem 60 mil habitantes, enquanto a outra, distante 510 quilômetros, é seis vezes mais populosa –, elas ostentam o privilégio de preservar viva a memória daquele que é considerado o apóstolo do espiritismo no mundo. Curiosamente, irão celebrar de forma muito diferente o centenário do médium. Em Pedro Leopoldo, de onde saiu por se sentir perseguido, a data será lembrada de forma festiva, com vários eventos. Em Uberaba, a cidade que o acolheu e projetou sua obra, a comemoração será silenciosa e quase envergonhada. O médium deixou sua cidade natal em 1959, aos 49 anos, depois que um sobrinho o acusou, por meio da imprensa, de inventar que psicografava. Aborrecido e perseguido por repórteres que passavam madrugadas na porta de sua casa, ele se cansou de dormir em bancos de praça e partiu, com a roupa do corpo, para o encontro de um amigo em Uberaba. Desde então, Chico visitava Pedro Leopoldo somente três vezes por ano.

MEMÓRIA 
Manteve essa rotina até 1987, quando passou o Réveillon e visitou o asilo da cidade. Na maioria das vezes, além de rever amigos e parentes, ele checava se estava tudo em ordem com a última casa que lhe serviu de residência e ficou abandonada desde sua mudança. O local, hoje, pertence a um grande amigo do religioso, o empresário Geraldo Lemos Neto, 47 anos, que a transformou em um centro de referência sobre a vida do médium, batizada de Casa de Chico. Desde 2006, 50 mil pessoas já visitaram a Casa, que passou por um processo de revitalização, mas ainda preserva quartos, banheiros e cozinha exatamente como Chico os deixou. Estão lá, por exemplo, as bandeiras de Minas Gerais e do Brasil que cobriram o caixão do líder espiritual em seu velório. A joia do local, porém, é o acervo bibliográfico. Neto possui todos os livros publicados pelo amigo (458) – muitos, da primeira edição – e outros 180 títulos escritos sobre o médium. “É pouco explorado, mas Chico tinha uma personalidade muito forte, principalmente quando não faziam suas vontades”, lembra o empresário, mostrando a banheira onde o mineiro gostava de se lavar. “Era assim também em relação à doutrina, tanto que se afastou de alguns amigos e centros.

Psicografias inéditas dele serão compiladas para a confecção de novos livros

” Vice-presidente do Centro Luiz Gonzaga, fundado por Chico em 1927, a professora aposentada Célia Diniz, 59 anos, recorda o dia em que ele lhe explicou a mudança repentina de cidade. “Chico disse: ‘Saí em busca de um clima mais ameno e porque a minha família não tinha culpa de ter um médium dentro dela. Ela teria a privacidade invadida onde quer que eu estivesse em Pedro Leopoldo’”, conta Célia. Da família numerosa – os Xavier eram 14 irmãos, fruto de dois casamentos de João Cândido Xavier –, apenas uma irmã de Chico, Cidália Xavier de Carvalho, 87 anos, está viva. O último dos irmãos do sexo masculino, André Luiz, morreu aos 91 anos, no final do ano passado. O médium não tinha parentes em Uberaba, mas se cercou de pessoas fiéis que respeitavam suas vontades e sua opção por uma vida desprendida de bens materiais. Na cidade mineira, em cada esquina tem alguém sempre disposto a contar um “causo” do líder espiritual. Poucos, porém, tiveram passe livre dentro de sua casa – transformada em museu e livraria pelo seu filho adotivo, Eurípedes Higino dos Reis – e desfrutaram da intimidade do hoje mito religioso. Barbeiro que atendia Chico em seu quarto, aparando-lhe a barba e cortando os cabelos de suas perucas, Belmiro Chagas Neto, 60 anos, solta uma sonora gargalhada ao relembrar a porção espirituosa do amigo. “Certo dia, uma pessoa perguntou a ele se fazia mal criar gato.

ESPÓLIO
E ouviu: ‘Sim, minha filha, para os ratos’”, conta Neto, que guarda todos os aparelhos de barbear usados no companheiro de três décadas. O religioso mineiro criava cachorros e gatos em seu quintal. Era comum vê-lo acordar às 6h, depois de varar a madrugada psicografando ou atendendo pessoas, para dar leite aos animais. Às vezes, quem o substituía nessa tarefa era Dinorá Cândida Fabiano. Durante 40 anos, ela foi um misto de cozinheira, enfermeira e massagista. “Todo dia, antes de eu ir embora, ele me dizia para não esquecer de colocar duas, três cadeiras no quarto dele. Acho que era para os espíritos sentarem”, conta. Aos 78 anos, Dinorá se emociona ao falar sobre o dia em que seu patrão, já com a saúde debilitada, a visitou no hospital de cadeira de rodas. E diz que “até de pôr o sapato no pé dele” sente falta. “Ele dizia para eu forrar com jornal para não passar frio.” Três pares de sapatos de Chico estão expostos no quarto onde ele deu o último suspiro, no dia em que a Seleção Brasileira se tornou pentacampeã do mundo, em 30 de junho de 2002. “Ele perguntou para mim: ‘O Brasil ganhou o jogo?’ Eu falei que sim e ele comentou: ‘Então, o Brasil está feliz. Que bom’”, recorda o filho Eurípedes. A amiga do médium, Kátia Maria, que se afastou do trabalho nos últimos três anos da vida de Chico para dedicar-se em tempo integral ao líder espiritual, conta que Ti-Chico, como ela o chama, avisou a todos que partiria no dia em que o País estivesse bem feliz. “Às 19h20, enquanto eu media a temperatura dele, Ti-Chico morreu no meu colo”, diz ela, que nunca foi espírita.
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No quarto preservado do médium, uma das atrações do museu, em Uberaba, estão ainda 13 imagens de santos, como São Francisco de Assis, Santa Sara e São João Bosco. Há ainda perucas, boinas, dentaduras e a cadeira de rodas que o acompanhou nos últimos momentos de vida. “Chico nunca pediu para alguém se converter ao espiritismo”, conta Célia, do Centro Luiz Gonzaga. “Ele foi o bandeirante da mediunidade. As pessoas atiravam pedras, mas ele seguia desbravando”, reforça o empresário Neto, da Casa de Chico. De fato, o mineiro foi julgado e tachado de louco e mentiroso, abriu mão do conforto e conviveu com problemas de saúde desde muito novo, sem reclamar de nada. “Eu o vi gastar dinheiro para transferir uma fazenda, em Goiás, que lhe foi doada por um milionário goiano, para poder entregá-la o quanto antes para os pobres”, conta Eurípedes Tahan, 73 anos, seu médico pessoal. “Gostaria de ser sucessor de Chico ou, como muita gente, ser como ele. Mas não dou conta de amar, trabalhar, ter a paciência e a capacidade de perdoar que ele tinha”, diz o aposentado Celso de Almeida Afonso. Aos 68 anos – 28 de psicografia –, Afonso se tornou um dos médiuns mais procurados em Uberaba depois da morte de Chico. Apesar de ter psicografado 18 mil mensagens, de acordo com suas contas, ele diz ter preguiça de escrever. Por outro lado, relata ter recebido seis mensagens assinadas pelo maior nome do espiritismo nacional.
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Na “Casa de Chico”, em Pedro Leopoldo, estão os 458 livros publicados pelo médium e outros 180 títulos sobre ele

“Entendo que estou sendo agraciado sem que o não mereça, mas cabe- me saber que sou, o que fiz e o que pretendo ainda realiza…”, diz um trecho da última,segundo ele, ditada por Chico Xavier, em meados de dezembro passado. Outro médium de Uberaba e antigo frequentador do Grupo Espírita da Prece, fundado por Chico em 1975, Carlos Baccelli, foi mais ousado. Ele publicou três livros com mensagens de Chico psicografadas, segundo afirma, por ele. “Eu sou um médium resolvido. Eu esperava, sim, receber mensagens do Chico. Esses 25 anos de convivência tornaram fácil essa sintonia. Tem de haver algum grau de afinidade entre o médium e o espírito”, afirma ele, com 120 livros no currículo e autor do recémlançado “100 Anos de Chico Xavier – Fenômeno Humano e Mediúnico”. Eurípedes, o filho de Chico, refuta a ideia de que seu pai tenha feito contato com Afonso, Baccelli ou qualquer outra pessoa, argumentando que o pai teria deixado um código para ele, a amiga Kátia Maria e o médico Tahan poderem identificar um recado autêntico (leia quadro). É Eurípedes quem administra o museu, a livraria e o Grupo da Prece e Assistência Chico Xavier, que oferece jantar para pessoas carentes e distribui enxovais para gestantes.

TESOURA E NAVALHA
Belmiro Neto, barbeiro de Chico: ele aparava as perucas do amigo de 30 anos

Também estão em seu poder psicografias inéditas do pai, que serão compiladas para a confecção de meia dúzia de novos livros. No dia seguinte ao aniversário do pai, Eurípedes fará um bolo de 160 quilos para ser distribuído para quem visitar o museu. “Meu pai consolava as mães que perderam seus filhos, dizendo para elas distribuírem um bolo no aniversário deles, pois seria a melhor maneira de homenageá-los”, conta. “Faço isso todo ano, como ele ensinou, porque a saudade do meu pai é grande.” Ainda não está programado nenhum outro evento em comemoração ao centenário daquele que colocou Uberaba em destaque no mapa mundial. Os uberabenses costumam comentar que a morte de Chico teve o impacto da perda de uma indústria. A movimentação na cidade tem aumentado, como contam os comerciantes. Nada comparável à época em que Chico reinava diante de um séquito, entre presidentes da República, artistas e empresários, que toda semana o visitavam e contribuíam para o PIB de Uberaba. “Nossa cidade é, da parte da classe política, muito ingrata com Chico”, reclama o médium Baccelli. “Ele desencarnou há quase oito anos e não há uma rua ou praça com seu nome. E a única ação pública, o memorial Chico Xavier, é uma novela que já dura quatro anos.

Ao contrário de Pedro Leopoldo, em Uberaba não há uma rua ou praça que homenageiem o médium
” Em Pedro Leopoldo o cenário é outro. A começar pela existência da Fundação Cultural Chico Xavier, que tem por objetivo promover a vida e a obra do médium. Mais: por meio de uma votação, a população elegeu os locais tidos como obrigatórios para os visitantes que pretendem saber um pouco mais sobre o religioso. Assim, viraram pontos turísticos a casa onde Chico nasceu e hoje abriga o Centro Luiz Gonzaga, a construção onde viveu, atualmente Casa de Chico, a Fazenda Modelo, endereço de seu antigo trabalho, o açude, próximo do qual ele teve o primeiro contato com Emmanuel, seu maior guia espiritual, o centro espírita Meimei, fundado por Chico, e a praça Chico Xavier. Entre 30 de junho e 10 de julho, Pedro Leopoldo será a sede da 8a. Semana Espírita Chico Xavier e palco de apresentações teatrais e ciclo de palestras. Em junho também será lançada a primeira biografia do maior médium do Brasil escrita por um cidadão pedro-leopoldense. O autor, o psicólogo e professor de educação física John Harley Madureira Marques, conviveu com Chico por 21 anos e está há dois trabalhando na obra, cujo título é mantido em segredo. Fazia tempo que Chico Xavier não ficava tão próximo das pessoas que o viram crescer e triunfar na missão a que ele se propôs. Não precisa ser nenhum médium para sentir sua presença em Minas Gerais.

Eliane Lobato - ISTO É BRASIL | N° Edição: 2103 | 26.Fev

 

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IMIGRAÇÃO INDESEJADA...

Added 23/2/2010

 

Cartaz que está rodando o mundo (traduzido)

para chamar atenção dos países 

que estão discriminando os emigrantes estrangeiros.

 

Boa reflexão para o Mundo Inteiro,

 a respeito de nossos preconceitos, escolhas e rejeições...!

 

 

imigracao

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