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 A ARTE DE SER SINCERO - Carlos Cardoso Aveline

1/4/2010

 

As palavras contêm cargas magnéticas. Elas têm uma componente mântrica.  A palavra sincera transmite a energia magnética da verdade. Essa energia é inseparável do sentimento fraterno. Ela une as pessoas e os seres.  Ela brota sempre naturalmente da alma imortal do indívíduo equilibrado.    

Uma palavra falsa - ainda que dita com intenção amável - transmite a energia do desencontro, porque está separada da verdade dos fatos.  Porém, quando a filosofia esotérica defende este princípio básico, é possível que algum cético retruque:

"O que é, exatamente, uma palavra verdadeira? E quem poderia julgar qual palavra é verdadeira? Quem é dono da verdade para poder fazer isso?"

Este é um argumento dos sofistas, que seguem o caminho do "relativismo radical" em relação à verdade.

Tais pessoas, profundamente desorientadas, imaginam que a verdade é aquilo que cada um quiser que seja, conforme sua conveniência de curto prazo.

Um indivíduo que pensa desde modo não pode reclamar da falta de ética que há hoje no mundo.

Mas o que é, então, a palavra verdadeira, se tantas vezes inevitavelmente nos equivocamos em nosso pensamento?  Como podemos dizer que falamos a verdade, se nossa visão das coisas é tão imperfeita?

A resposta para estas questões é simples.  A palavra verdadeira é a palavra sincera.

O cidadão pode estar certo ou errado em sua visão das coisas, e isso é perfeitamente humano. A sua palavra, porém, deve ser honesta e deve vir do coração. Esta é a palavra verdadeira.

Quando alguém é sincero e se equivoca, aprende com o seu erro. Quando alguém é insincero com sua palavra, ainda que supostamente bem intencionado, está cometendo um erro conscientemente.

O preço a pagar pelo erro consciente é o bloqueio do processo de aprendizagem diante da vida. Aprender é aproximar-se da verdade. Para  isso,  é preciso ser pessoalmente verdadeiro no limite máximo da sua capacidade.

Este princípio da filosofia esotérica é intelectualmente simples e fácil de entender. Emocionalmente, porém, trazê-lo para a vida diária pode ser algo difícil. Neste ponto, a filosofia esotérica contraria a visão socialmente estabelecida sobre o que é uma pessoa bem educada.

 Para resgatar a sinceridade na Civilização Ocidental de hoje, é preciso remover um  condicionamento cultural de 15 séculos,  segundo o qual as palavras que dizemos devem ser sempre amáveis na aparência - se não na intenção - e, só quando as circunstâncias externas permitirem as palavras devem ser, também, verdadeiras.   

 Esta é uma receita para chegar à hipocrisia.  

 Na verdade, é necessário construir uma nova cultura em que a sinceridade possa ser tolerada. É precisamente a falta de permissão para que a palavra seja verdadeira que gera o ódio profundo e produz a falsidade nas relações humanas.

A palavra verdadeira não é, naturalmente, uma desculpa para agressões pessoais. Uma atitude filosófica diante da vida nos liberta da temática personalista, que faz com que tantas pessoas percam a maior parte da sua vida pensando em eus inferiores e assuntos pessoais - especialmente os seus próprios - ou dando palpites na vida alheia.

 O eu inferior é apenas uma base, um instrumento, algo útil para que a alma possa voar em direção a horizontes mais amplos. O foco do esforço teosófico está voltado para duas tarefas simultâneas. De um lado, é necessário discutir livremente nos âmbitos coletivos as questões da evolução humana e planetária. De outro lado, cada um deve regular a si próprio, enquanto avança passo a passo pelo caminho da auto-disciplina.  

 Quando alguém coloca a verdade acima da crença organizada, do costume estabelecido ou da amabilidade obrigatória, está optando por uma atitude sensata, que possibilita o crescimento interior. Assim a pessoa abandona a mera aparência de boa educação -  que produz hipocrisia. 

 A credulidade devocional é desaconselhável apenas porque ela nega a liberdade de pensar. A teosofia respeita o valor da devoção. Este é um sentimento superior e fundamental. Mas a devoção deve ser dirigida sobretudo à Verdade e aos princípíos impessoais da sabedoria eterna.

 A devoção ao que é universal não amordaça de modo algum o livre-pensamento, nem limita o espírito crítico. O estudante da sabedoria do Oriente apenas evita perder tempo e energia com críticas e elogios de caráter pessoal. Ele usa os seus dois hemisférios cerebrais. Ele sabe que a alma imortal necessita tanto do hemisfério cerebral esquerdo -  que vê a parte e analisa as situações em detalhe -  quando do hemisfério cerebral direito, que sintetiza, vê o todo e é intuitivo.

 Assim, o estudante deve aprimorar a sua capacidade de identificar erros e acertos na vida cotidiana.  E deve aprender, ao mesmo tempo, a paralisar o pensamento lógico e sucessivo cada vez que trata de contemplar a verdade suprema. Nesse processo, surge uma unidade dinâmica e criativa entre as inteligências do céu e da terra, e a felicidade interior é, finalmente, alcançada.  

 www.filosofiaesoterica.com

Category : PENSAMENTOS, BIOGRAFIAS, ENTREVISTAS, CRONICAS Print

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