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 VOCÊ JÁ OUVIU FALAR DE HOMOCISTEÍNA?

11/3/2010

 

OU, MELHOR, SEU MÉDICO JÁ LHE recomendou um exame de sangue para verificar seu nível de homocisteína? Provavelmente não. Depois de ler este capítulo, garanto que você se perguntará por quê. Pouca gente já ouviu falar dessa substância, e um número ainda menor sabe que ela é uma ameaça tão grande quanto o colesterol no que se refere a doenças cardiovasculares.
Estima-se que o mero nível elevado de homocisteína no sangue seja responsável hoje por aproximadamente 15% de todos os ataques cardíacos e AVC’s no mundo - o que significa 225 mil ataques cardíacos e 24 mil derrames por ano nos Estados Unidos. Além disso, há 9 milhões de pessoas com doenças cardiovasculares decorrentes de níveis elevados de homocisteína. Não preciso dizer que creio ser muito importante conhecermos mais sobre essa terrível assassina, especialmente quando se sabe que é possível corrigi-Ia pela mera ingestão de suplementos de vitamina B.

O Que É Homocisteína?

A história das pesquisas sobre homocisteína é fascinante, e começa com a carreira do dr. Kilmer McCully. Um promissor patologista e pesquisador, graduado na Faculdade de Medicina de Harvard em meados da década de 1960, o de. McCully estudou a ligação da bioquímica com as moléstias. Sua reputação era alta, e ele logo alcançou posições de prestígio como patologista associado do Hospital Geral de Massachusetts e como professor assistente de patologia na Faculdade de Medicina de Harvard.
No início de sua carreira, o dr. McCully teve particular interesse por uma doença chamada homocistinúria. Ela se manifestava em crianças com um defeito genético que as impedia de romper um aminoácido essencial chamado metionina. Essas crianças apresentavam uma grande aglomeração de um subproduto chamado homocisteína. McCully avaliou dois casos separados envolvendo meninos que, possuindo tal deficiência, morreram de ataque cardíaco. Era algo impressionante, já que os dois tinham menos de 8 anos de idade. Ao examinar as peças anatomopatológicas das artérias desses meninos, ele descobriu que seu aspecto era semelhante ao de uma pessoa idosa com grave espessamento de artérias. Isso levou o dr. McCully a cogitar se elevações mínimas ou moderadas de homocisteína persistindo por toda a vida não poderiam ser uma causa de ataques cardíacos e derrames nos pacientes em geral.
Como vimos no caso dos dois meninos, a homocisteína é um subproduto intermediário que produzimos quando nosso corpo metaboliza (quebra) um aminoácido essencial chamado metionina. A metionina existe em grandes quantidades na carne bovina, nos ovos, no leite, no queijo, na farinha branca, em comida enlatada e em alimentos altamente processados. Apesar de necessitarmos de metionina para sobreviver, há um consumo enorme desse nutriente nos Estados Unidos, como pode ser visto nessa lista de alimentos em que ele é encontrado; alimentos, aliás, que fazem parte da dieta da maior parte da população norte-americana. Nosso corpo normalmente converte a homocisteína em cisteína ou a transforma novamente em metionina.
A cisteína e a metionina são produtos benignos, não sendo nocivos de maneira alguma. Mas eis o nó da questão: as enzimas necessárias para romper a homocisteína em cisteína ou revertê-Ia em metionina precisam de ácido fólico, vitamina B12 e vitamina B6 para cumprirem sua função. Se tivermos deficiência de tais nutrientes, os níveis de homocisteína no sangue começam a subir.
Então, por que não ouvimos falar disso antes? Voltemos ao dr. Kilmer McCully.

A Coisa Certa - O Momento Errado

McCully publicou sua teoria sobre a homocisteína em diversos jornais médicos no fim dos anos 60 e início dos 70, sendo, a princípio, saudado com grande entusiasmo. O dr. Benjamin Castle, chefe de seu departamento, o apoiou plenamente, expondo seu trabalho a um prestigioso conselho de especialistas. Mas, em meados da década de 1970, a teoria da homocisteína perdera muito de seu impulso.
O dr. Castle aposentou-se, e o novo chefe de departamento disse a McCully que procurasse seu próprio fundo de pesquisas ou se demitisse. Seu laboratório foi transferido para o porão. McCully lutou longamente e com muito empenho, mas acabou ficando sem tempo e sem dinheiro: em 1979 o novo chefe de departamento informou-o de que a universidade o estava dispensando, uma vez que sua teoria sobre a homocisteína e as doenças do coração ainda não tinham sido provadas.
Como os cargos de McCully na Faculdade de Medicina de Harvard e no Hospital Geral de Massachusetts estavam associados, ele perdeu os dois em janeiro de 1979. Um antigo colega de classe de Harvard, então diretor do centro de arteriosclerose do MIT, designou as idéias de McCully como "absurdos berrantes" e "uma fraude infligida ao público". Em pouco tempo, o diretor de relações públicas do Hospital Geral de Massachusetts pediu ao dr. McCully que não associasse suas teorias sobre a homocisteína com o hospital ou com Harvard. McCully foi expelido de vez.
O dr. Kilmer McCully estava certamente adiante de seu tempo. Mas por que tanta hostilidade para com um homem que só estava tentando descobrir a causa subjacente da principal assassina do mundo de hoje? Qual o motivo para tanto pessimismo e tamanhos ataques verbais? Poderiam as caríssimas pesquisas sobre colesterol na época ser a razão?
Naquela época, a teoria sobre os ataques cardíacos por colesterol vinha ganhando grande impulso, e a hipótese de Kilmer McCully desafiava abertamente seu futuro.
O dr. Thomas James, cardiologista, presidente da Divisão Médica da Universidade do Texas e da American Heart Association (Associação Americana do Coração) em 1979 e 1980, disse: "Não se podia obter patrocínio para idéias que seguissem em direções opostas à do colesterol. Havia um desencorajamento intencional a seguir questões alternativas. Nunca lidei com nenhum assunto em minha vida que gerasse reações tão imediatamente hostis".
Com todas as teorias opostas silenciadas, a do colesterol avançou a passos largos. As companhias farmacêuticas começaram a ganhar seus bilhões, e todos se convenceram de que os ataques cardíacos e derrames eram simplesmente o resultado de colesterol em demasia na corrente sangüínea. Você concorda que eles fizeram um bom trabalho vendendo essa idéia para a comunidade médica e o público em geral?

Interesse Renovado na Homocisteína

Em 1990 o dr. Meir Stampfer revitalizou o interesse na teoria do dr. McCully sobre a homocisteína. Professor de epidemiologia e nutrição na Faculdade de Saúde Pública de Harvard, Stampfer analisou os níveis sangüíneos de homocisteína de 15 mil médicos envolvidos em um estudo de saúde. Ele declarou que mesmo níveis ligeiramente elevados relacionavam-se diretamente a um risco maior de desenvolvimento de doenças do coração. Os indivíduos com os níveis mais elevados de homocisteína corriam um risco três vezes maior de sofrer ataque cardíaco do que aqueles com os menores níveis. Esse foi o primeiro grande estudo a demonstrar a possibilidade de a homocisteína ser um fator independente de risco de doenças do coração.
Em fevereiro de 1995 o dr. Jacob Selhub também declarou, no New England Journal ofMedicine, que níveis elevados de homocisteína no plasma relacionavam-se diretamente ao maior risco de estenose das artérias carótidas (a obstrução progressiva das duas principais artérias que conduzem sangue ao cérebro). Além disso, Selhub notou que a maioria dos pacientes com níveis elevados de homocisteína também possuíam níveis reduzidos de ácido fólico e vitaminas B12 e B6 em seus corpos.
Outro grande estudo de caso-controle, o European Concerted Action Project, indicou que, quanto mais alto o nível de homocisteína, maior o risco de ataque cardíaco. O que outrora se consideravam níveis normais de homocisteína foram vistos, de súbito, como níveis altamente perigosos.
De maior importância ainda para os pesquisadores foi o fato de que, quando encontravam níveis elevados de homocisteína em pacientes que também possuíam outros grandes fatores de risco (hipertensão, colesterol elevado ou hábito de fumar), o risco de doenças vasculares aumentava dramaticamente. Os resultados desses exames clínicos proporcionaram evidências de que, quanto menor nosso nível de homocisteína, melhor.
De uma hora para outra, os pesquisadores admitiam como fato que a homocisteína era realmente um fator de risco independente de doenças cardiovasculares. Mesmo inveterados defensores do colesterol, como Claude L'enfant, diretor do National Heart, Lung and Blood Institute (Instituto Nacional do Coração, dos Pulmões e do Sangue, nos Estados Unidos), disseram: "Ainda que o risco da homocisteína elevada não esteja totalmente demonstrado, é uma área extremamente importante de pesquisa". Hoje a evidência médica é incontestável: a homocisteína pode ajudar a causar doença arterial coronariana, AVC’s e doenças vasculares periféricas.

Os Poderes Econômicos da Medicina

Pode-se entender agora por que mais da metade das pessoas que sofrem ataques cardíacos tem níveis normais de colesterol. Por que foram necessários 25 anos desde que o dr. McCully apresentou sua hipótese sobre a homocisteína para que a comunidade médica lhe desse atenção? O dr. Charles Hennekens, professor na Faculdade de Medicina de Harvard e chefe de medicina preventiva no Brigham and Women's Hospital, cita um exemplo paralelo. "Já há alguns anos que sabemos dos grandes beneficios da aspirina no tratamento de [pacientes] que sofreram ataques cardíacos agudos e de sobreviventes de ataques cardíacos, e nós, todavia, a subutilizamos", ele diz. "Em um encontro recente do comitê consultivo da FDA, gracejei que, se a aspirina tivesse metade de sua eficácia, mas fosse dez vezes mais cara e vendida sob prescrição, talvez as pessoas a levassem mais a sério".
Bem, ao menos as companhias farmacêuticas levariam a aspirina mais a sério, e compartilhariam, sem dúvida, esses beneficios à saúde com os médicos. A situação, no caso, é similar. Como a aspirina, os suplementos de vitamina B podem, ao custo de alguns centavos por dia, reduzir efetivamente a maioria dos níveis elevados de homocisteína. "É inegável que não há interesse comercial suficiente para apoiar pesquisas sobre homocisteína", diz o dr. Stampfer, "já que ninguém vai ganhar dinheiro com ela".
Dê uma olhada na quantidade de dinheiro que a comunidade médica e a indústria farmacêutica ganharam reduzindo o colesterol com drogas sintéticas. Bilhões e bilhões de dólares entrando todos os anos. Você já se perguntou quem foi que o educou quanto aos riscos do colesterol alto? Quem está pagando aquele anúncio de página inteira no USA Today para lhe falar da importância de reduzir seu colesterol? As empresas farmacêuticas. Por que ninguém publicou um anúncio na TV ou nos jornais para informá-Io sobre a importância de reduzir sua homocisteína? Não se pode ganhar tanto dinheiro com a venda de vitamina B12, vitamina B6 e ácido fólico. É triste dizer, mas estamos encurralados nos efeitos em cascata da economia medicinal. Poderia ter sido essa a causa secreta de o dr. Kilmer McCully haver perdido seu fundo de pesquisa e seu emprego em Harvard?
O dr. McCully dá sua opinião pessoal sobre essa medicina capitalista ao perguntar quem ganha mais em não informar as pessoas sobre os perigos da homocisteína. "Os avanços mais significativos na longevidade durante os últimos dois séculos foram conquistados pela saúde pública, e não pela medicina", ele diz. "Mas a saúde pública é notoriamente não-lucrativa. As pessoas não lucram evitando doenças. Elas lucram com a medicina - tratando doenças em estádios avançados e críticos".

Existe um Nível Saudável de Homocisteína?

Diversamente do colesterol, do qual o corpo precisa para a produção de certas partes celulares e hormônios, a homocisteína não oferece beneficio algum à saúde. Quanto mais alto seu nível, maior o risco de doenças cardiovasculares. Em contrapartida, quanto mais baixo o nível de homocisteína, melhor. Não há um limite abaixo do qual ela seja aceitável. Seu nível de homocisteína deve ser o mais baixo possível.
A maioria dos laboratórios determinará os níveis normais de homocisteína como estando entre 5 e 15 micromols/L (micromols por litro de sangue). A literatura médica diz que quando esse nível se eleva muito acima de 7 micromols/L, contudo, o risco de desenvolver doenças cardiovasculares se torna aparente. A maioria dos pacientes precisará de níveis de homocisteína abaixo de 7. Se seu nível estiver acima de 12, você estará correndo sérios riscos.
Sempre que a comunidade médica descobre uma nova entidade ou fator de risco, os padrões de teste ficam muito desatualizados. Isso ocorreu com o colesterol e ocorrerá com a homocisteína. Portanto, não se tranqüilize se seu médico lhe disser que um nível de homocisteína de 10 ou 11 está dentro da faixa normal e que não há por que se preocupar. Você precisa que seu nível de homocisteína reduza-se ao menos para 9, caso não possua sintomas de doenças cardiovasculares; e para menos de 7 se já tiver indícios de doenças cardiovasculares ou possuir outros fatores de risco de doenças cardíacas.

Como Reduzir Meu Nível de Homocisteína?

Há na verdade dois lados da moeda no caso dos níveis elevados de homocisteína. Um é a quantidade de metionina em sua dieta a ser metabolizada e degradada por seu corpo. Você deve atentar à quantidade de carne bovina e produtos lácteos que consome. Não é interessante que esses sejam exatamente aqueles produtos ricos em gordura saturada e colesterol? Obviamente, precisamos substituir esses alimentos por uma quantidade maior de frutas e legumes, assim como proteínas vegetais. Sei que a metionina é um aminoácido essencial; todavia, na dieta norte-americana sempre teremos dela mais do que o suficiente.
O outro lado da moeda é proporcionar ácido fólico, vitamina B6 e vitamina B12 em quantidades suficientes para que os sistemas enzimáticos necessários ao rompimento da homocisteína funcionem adequadamente. É interessante notar que todos os estudos a indicarem aspectos nocivos da homocisteína elevada também apresentaram níveis reduzidos das vitaminas B. Recomendo que meus pacientes tomem 1.000 ug (microgramas) de ácido fólico, de 50 a 150 ug de vitamina B12 e de 25 a 50 mg (miligramas) de vitamina B6.
Lembre-se, quanto mais baixo o nível de homocisteína, melhor. Quero ver o nível de todos abaixo de 7, se possível. Quando meus pacientes têm um nível inicial de homocisteína acima de 9, receito-lhes suplementos de vitamina B e volto a verificar seu nível sangüíneo passadas seis ou oito semanas. Com esse regime de vitamina B, os níveis de homocisteína tendem a cair entre 15% e 75%. Mas nem todos os pacientes respondem adequadamente ao uso exclusivo de vitaminas B. Isso me indica que tais pacientes possuem um problema geral de metilação, o processo bioquímico usado pelo corpo para reduzir a homocisteína a produtos benignos ou inofensivos.

Deficiência de Metilação

A deficiência de metilação não somente é responsável pelos níveis elevados de homocisteína, como é também um dos principais problemas por trás de algumas das maiores doenças degenerativas crônicas, especialmente alguns tipos de câncer e o mal de Alzheimer. Na verdade, enquanto escrevo este capítulo um estudo acaba de divulgar que foi descoberto um novo teste para determinar quem corre maiores riscos de desenvolver o mal de Alzheimer. Leio os resultados desse estudo com grande ansiedade. Consegue adivinhar o que o novo teste verifica? Sim - o nível de homocisteína no sangue. Há vários anos que realizamos esse teste em meu consultório, porquanto ele sustenta o fato de que os níveis elevados de homocisteína não somente são um indicador de deficiências em vitamina B, como também servem para indicar níveis reduzidos de doadores de "metil" em nosso corpo. Os doadores de metil, além de necessários para reduzir os níveis de homocisteína no corpo, também produzem nutrientes importantes de que o cérebro precisa.
O doador de metil menos dispendioso, com excelentes efeitos nos níveis de homocisteína, é chamado de betaína ou trimetilglicina (TMG). Se o nível de homocisteína não se reduzir ao desejado, adiciono de 1 a 5 gramas de TMG ao suplemento diário de vitaminas B.

Dr. Kilmer McCully: A Conclusão

Publicou-se, em 10 de agosto de 1997, uma reportagem na New York Magazine intitulada "AQueda e Ascensão de Kilmer McCully". Ela detalhava o final de sua história e oferecia uma interessante perspectiva para nossas preocupações presentes:

McCully revela, em suma, a sombra de seu desapontamento, que deve ter sido muito maior duas décadas atrás. "Em outubro último", ele diz, "o departamento de patologia do Hospital Geral de Massachusetts promoveu uma reunião para a qual me convidou, e encontrei uma das pessoas responsáveis por minha demissão. 'Bem', disse-me ele, 'parece que você tinha razão, afinal de contas'. Já se passaram 20 anos. Minha carreira está quase acabada. Não há muito que se possa fazer com 20 anos perdidos, não é mesmo?"

Pior, as forças políticas e econômicas que arruinaram McCully na época podem ser ainda mais intensas hoje. Em abril de 2001, o New England Journal of Medicine publicou um artigo chamado "O Mensageiro sob Ataque - Intimidação de Pesquisadores por Grupos de Interesses Especiais", detalhando três casos de molestamento por parte de grupos advocatícios, associações médicas ou consultorias acadêmicas que nem sempre revelam suas estreitas ligações com empresas farmacêuticas. Com mais e mais grupos de pressão exercendo seu peso sobre o patrocínio e a promoção de pesquisas, diz o artigo, "tais ataques podem se tornar mais freqüentes e mais acrimoniosos".
McCully conhecia os perigos da homocisteína. Estou certo de que também sabia que a ingestão suplementar de vitaminas B é uma garantia não somente barata contra tais perigos, como também segura. Ele enfrentava um gigante político. Mas a verdade hoje está clara. Só nos resta especular por que os médicos ainda relutam tanto em verificar os níveis de homocisteína de seus pacientes e por que não recomendam vitaminas B a todos eles. O que seu médico não sabe pode estar matando você. Especialmente quando se considera o fato de que a homocisteína é um fator de risco de doenças do coração tão ou mais importante do que o colesterol.


DO LIVRO:
O QUE SEU MEDICO NÃO SABE SOBRE A MEDICINA NUTRCIONAL
E QUE PODE ESTAR MATANDO VOCÊ
RAY D.STRAND, MD

Category : SAÚDE, ENERGIA, CIÊNCIAS ALTERNATIVAS Print

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