"> I CHING - O Livro mais antigo do mundo - ASTROLOGIA CÁRMICA | Bloguez.com - Bloguez.com
 

 I CHING - O Livro mais antigo do mundo (2ª parte)

7/3/2010

O I Ching e a ciência moderna

Hoje, o interesse dos ocidentais pelo I Ching pode ser explicado pelo fenômeno conhecido como pós-modernismo. Em vez de seguir religiões tradicionais que fornecem verdades únicas, cada vez mais se opta por crenças exóticas, sem normas rígidas e que não exigem engajamento. Traços da cultura oriental, como o budismo, o yoga e o I Ching , entram nessa onda, assim como o Santo Daime e seitas neopentecostais. “Desponta um novo caminho da religião que, em muitos aspectos, se afasta dos moldes tradicionais ”, afirma o teólogo José Queiroz, da PUCSP.

O contato entre os fenômenos sagrados do Oriente e do Ocidente começou no século 16, quando missionários jesuítas começaram a viajar à Ásia para catequizar os “pagãos ”. Pouco a pouco, notícias fragmentadas sobre as estranhas maravilhas da cultura chinesa começaram a pingar no nosso lado do planeta.

O primeiro grande cientista europeu a se interessar pela civilização da China foi um cortesão, diplomata e acadêmico alemão do século 17: Gottfried Wilhelm Leibniz (16421727). Numa época em que a maioria dos ocidentais nem sabia onde ficava a China, Leibniz tinha uma fonte privilegiada de informações sobre o país –era amigo de um jesuíta francês chamado Joachim Bouvet. Em uma das cartas que enviou a Leibniz de Pequim, por volta de 1699, Bouvet falou de certo livro antiqüíssimo, que segundo os chineses continha a chave para o conhecimento de todas as coisas. Essa era a idéia típica da ciência do século 17: que havia uma chave, uma teoria que explicaria todo o funcionamento do mundo. Em anexo, o jesuíta presenteou o amigo com uma cópia dos 64 hexagramas de Fu Hsi, arranjados na seqüência de Shao Yong.

“Quando viu os símbolos do I Ching, Leibniz ficou quase alucinado, pois sempre havia sonhado com uma ciência que abarcasse todo o Universo ”, conta o sinólogo Spoviero. Leibniz tratou de procurar ligações entre o I Ching e suas próprias investigações científicas. E não é que encontrou? Alguns anos antes, Leibniz havia inventado o sistema binário – aquele que utiliza apenas combinações variáveis de dois dígitos, 0 e 1, para representar todos os números. Sem esse sistema, a civilização digital de hoje em dia não existiria. Após examinar os signos enviados por Bouvet, Leibniz se convenceu de que os 64 hexagramas, na verdade, eram uma primitiva tabela binária. Basta substituir as linhas inteiras pelo dígito 1, e as quebradas pelo 0 –e, em vez de grupos geométricos, surge uma seqüência de números binários com 6 dígitos. Kun tornase 000000 –o equivalente binário ao número 0 –; Chien, no fim da tabela, vira 111111 – ou seja, 63. Um rudimento neolítico de ciência da computação.

Pode ser só coincidência matemática – assim como as complicadíssimas semelhanças entre os 64 hexagramas e as 64 possíveis combinações de proteínas do código genético, deslindadas pelo alemão Martin Schonberger em The I Ching and the Genetic Code , de 1973 (“O I Ching e o Código Genético ”, sem tradução no Brasil). Também há coincidência entre o I Ching e a física quântica, que estuda o comportamento da matéria na escala microscópica, ou seja, os átomos e seus pedacinhos – prótons, nêutrons, elétrons. Até o começo do século 19, a ciência ocidental era dominada pela doutrina da física “mecanicista ”: a matéria era vista como algo morto, imutável. Toda mudança que ocorria no mundo seria resultado de leis criadas por Deus, impostas de cima para baixo, exteriores ao próprio Universo. No século 19, surgiu a idéia de que o mundo sofre um progresso linear, idéia que acabou celebrizada na Teoria da Seleção Natural de Darwin.

No início do século 20, com os estudos de cientistas como Albert Einstein, James Maxwell e Niels Bohr, a coisa ficou ainda mais parecida com o I Ching . As novas teorias pintaram um Universo parecido com o proposto pelos místicos chineses. Os físicos do século 20 descobriram que as partículas que compõem a matéria estão em perpétua transformação: prótons se convertem em elétrons que se convertem em nêutrons, e assim por diante. O Universo não é algo estático, mas uma massa de energia em constante transformação, uma teia de processos infinitos e dinâmicos – ou mutações. E mais: o fluxo de metamorfoses que domina o mundo subatômico e forma tudo o que existe é regido pela dança de opostos. Os elétrons de carga negativa giram em torno dos núcleos de carga positiva, formando o átomo e o Universo.

Niels Bohr (18851962), um dos pais da física quântica, sabia das semelhanças entre sua ciência e certo livro antigo da China. Tanto que, após uma viagem ao Oriente em 1937, incluiu no brasão de armas de sua família o taichi – aquela esfera metade escura, metade clara, símbolo da interação entre yin e yang. “Lendo o I Ching, ele se inspirou para elaborar muitos conceitos fundamentais da física quântica ”, escreve o biólogo molecular Johnson Fa Yan em O DNA e o I Ching . Bohr ajudou a derrubar a noção de que as leis que regem o Cosmos são independentes da matéria – em vez disso, hoje se acredita que essas leis emanam da própria energia em mutação que forma o mundo. Idéia que pode ser resumida no seguinte lema: “As leis naturais não são forças externas às coisas, mas representam a harmonia e o movimento inerente às próprias coisas ”. Note bem: essa frase não saiu de um livro de física. É um trecho do I Ching. 

1. CH'IEN - O CRIATIVO  2. K'UN - O RECEPTIVO  3. CHUN - A DIFICULDADE INICIAL  4. MENG - A INEXPERIÊNCIA 5. HSU - A ESPERA  6. SUNG - O CONFLITO  7. SHIH - O EXÉRCITO  8. PI - A UNIÃO 9. HSIAO CH'U - A FORÇA DO FRACO  10. LU - A CONDUTA  11. T'AI - A PAZ  12. PI - A ESTAGNAÇÃO 13. TUNG JÊN - A FRATERNIDADE  14. TA YU - A GRANDE FORÇA  15. CH'IEN - A HUMILDADE  16. YU - O ENTUSIASMO 17. SUI - O SEGUIR  18. KU - A REAÇÃO  19. LIN - A APROXIMAÇÃO  20. KUAN - A CONTEMPLAÇÃO 21. SHIH HO - A MORDIDA  22. PI - A BELEZA  23. PO - A DESINTEGRAÇÃO  24. FU - O RETORNO 25. WU WANG - A SIMPLICIDADE  26. TA CH'U - A FORÇA DO FORTE  27. I - O ALIMENTO  28. TA KUO - O IMPÉRIO DOS FATOS 29. K'AN - O ABISMO  30. LI - A LUZ  31. HSIEN - A ATRAÇÃO  32. HENG - A DURAÇÃO 33. TUN - A RETIRADA  34. TA CHUANG - O PODER  35. CHIN - O PROGRESSO  36. MING I - O OBSCURECIMENTO 37. CHIA JEN - A FAMÍLIA  38. K'UEI - A OPOSIÇÃO  39. CHIEN - O OBSTÁCULO  40. HSIEH - A LIBERAÇÃO 41. SUN - A PERDA  42. I - O ACRÉSCIMO  43. KUAI - A DECISÃO  44. KOU - O ENCONTRO 45. TS'UI - A REUNIÃO  46. SHÊNG - A ASCENSÃO  47. K'UN - A OPRESSÃO  48. CHING - O POÇO 49. KO - A REVOLUÇÃO  50. TING - O CALDEIRÃO  51. CHÊN - O TROVÃO  52. KÊN - A PARADA 53. CHIEN - O DESENVOLVIMENTO  54. KUEI MEI - A JOVEM QUE SE CASA  55. FÊNG - A PLENITUDE  56. LÜ - O VIAJANTE 57. SUN - O VENTO QUE PENETRA  58. TUI - A SERENIDADE  59. HUAN - A DISPERSÃO  60. CHIEH - A LIMITAÇÃO 61. CHUNG FU - A SINCERIDADE  62. HSIAO KUO - O AVANÇO DO PEQUENO  63. CHI CHI - APÓS A CONCLUSÃO 64. WEI CHI - ANTES DA CONCLUSÃO

O método tradicional de consulta envolve 50 caules de milefólio – uma planta sagrada na China, que também era usada para fazer poções do amor. A consulta com os caules é complicada e lenta, mas existe um método mais simples. Em vez de 50 varetas exóticas, ele requer apenas 3 moedinhas das mais comuns.

1. Sente-se voltado para o sul, de pernas cruzadas, respirando fundo. Isso tudo é mero ritual serve para aguçar a concentração, relaxar a alma etc. Se você é do tipo impaciente ou se tem alergia a incenso, não tenha pruridos e pule logo para o próximo item.

2. Tire 3 moedas iguais da carteira. Mentalmente, faça uma pergunta ao I Ching. As perguntas devem ser específicas, diretas e sérias. Nada de “qual é o sentido da vida?” ou “o que eu vou almoçar amanhã?” Chacoalhe as moedas e deixe-as cair sobre uma superfície lisa e rígida.

3. Olhe as moedas jogadas e faça um cálculo simples: cara é igual a 3, coroa é igual a 2. Some o número equivalente a cada moeda. O resultado será 6, 7, 8 ou 9. Anote o número no seu caderninho.

4. Terminada a operação, faça tudo de novo outras 5 vezes, sempre anotando o resultado. O hexagrama vai sendo montado de baixo para cima: a primeira conta vai definir a última linha do hexagrama, a segunda a penúltima e assim por diante.

5. No seu caderno, você terá uma seqüência de 6 números. Transformá-la em um hexagrama é fácil: 9 e 7 devem ser trocados por uma linha inteira (yang); 6 e 8, por uma linha partida (yin). (Como no fim há apenas duas formas de linhas, a conta poderia ser feita com apenas uma moeda. Utilizam-se 3 para definir padrões mais avançados dos trigramas. )

6. Procure o hexagrama obtido na tabela do I Ching (disponível no site www. superinteressante. com. br)e leia os textos referentes. Os chineses os interpretam como um conselho do Universo em relação a determinado problema. A questão é que o Universo, aparentemente, tem um certo gosto por falar em enigmas. Interpretá-los e desvendá-los é tarefa sua. Boa sorte.

= Hexagrama 40 - As dificuldades começam a desaparecer. aquele que for paciente e tolerante conquistará a paz. Quem é sábio perdoa e esquece.

Séculos 30 a 11 a. C.

CHINA - Descobertas arqueológicas mostram que a civilização chinesa surgiu nessa época, no vale de Henan, centro do país. É quando aparece a agricultura, a escrita, a divisão de tarefas e até mesmo usinas rudimentares e fundição para fazer objetos e esculturas de bronze.

I CHING - Segundo a lenda, Fu Hsi encontra 8 símbolos (os trigramas)nas costas de um dragão, às margens do rio Amarelo, por volta de 3000 a. C. Uma variante do mito conta que o imperador compôs os signos a partir de observações da natureza.

Séculos 11 a 3 a. C

CHINA - O território chinês é ocupado por diversos reinos pequenos que freqüentemente lutam entre si. Com a dinastia Chou, surgem condições para a unificação dos reinos. Começa um período de força cultural e filosófica, representado pelo filósofo Confúcio.

I CHING - Ganha interpretações dos seus 3 escritores históricos: o conde Wen, criador da dinastia Chou, seu filho, o duque de Chou, e o filósofo Confúcio. Nessa época, o I Ching se torna também uma espécie de manual utilizado pelos administradores do governo.

Séculos 3 a. C. a 2

CHINA - Os reinos são unificados, dando início à dinastia Qin. O imperador Qin Shi Huangdi é o primeiro da China unificada. Ele organiza o calendário, o sistema de escrita e inicia a Muralha da China. Ao morrer, é enterrado com 6 mil estátuas de terracota, os guerreiros de Xi ’an.

I CHING - O imperador Qin manda queimar todos os livros e registros que não sejam sobre a sua dinastia. Mesmo assim, o I Ching sobrevive misteriosamente, ao contrário de vários textos importantes para a época, como alguns escritos pelo filósofo Confúcio.

Séculos 2 a 16

CHINA - As poderosas dinastias Han, Tang e Song protagonizam períodos de conflito e união. A China se torna uma das civilizações mais avançadas da época. Mas, no século 14, os mongóis conquistam o país: Kublai Khan, neto de Gêngis Khan, passa a governá-lo.

 I CHING - Torna-se o clássico absoluto da civilização chinesa. Não serve apenas como um manual de adivinhação: vira uma explicação para tudo o que existe. No Ocidente, no entanto, ele continua sendo um ilustre desconhecido.

Séculos 16 a 18

CHINA - A dinastia Ming expulsa os mongóis. Enquanto isso, a Igreja Católica envia missionários da ordem dos jesuítas à China, que ficam fascinados pela cultura do país. A navegação se desenvolve e a Cidade Proibida, em Pequim, é construída.

I CHING - Pelas mãos dos jesuítas, o I Ching chega à Europa junto com os vasos Ming, que viram peças de coleção dos reis europeus. Na onda de artefatos exóticos chineses, a obra atrai eruditos como o cientista Wilhelm Leibniz. É o início do namoro entre o livro e o Ocidente.

Século 20

CHINA - Um levante popular derruba a dinastia Qing, a última da história da China. Em 1949, os comunistas estabelecem a República Popular da China, governada com mão de ferro e vigorando até hoje, apesar da aproximação cada vez maior do país com o capitalismo.

I CHING - Os comunistas banem o livro, que, apesar disso, continua sendo consultado em segredo. Anos depois, ele é reabilitado. No Ocidente, o I Ching vira superstar, assim como outras manifestações orientais. Inúmeras traduções surgem nas principais línguas ocidentais.

Depois do século 5 a.C., o I Ching deixou de ser só um manual de profecias e ganhou o título lisonjeiro de “clássico confuciano ”. No século 20, essa relação ambilical com o filósofo mais famoso da China se tornou perigosa e quase levou o I Ching à extinção. Em 1949, quando o Partido Comunista subiu ao poder, Mao Tsé-tung, ditador todo-poderoso, decidiu que a filosofia e a espiritualidade da antiga China imperial deviam ser ceifadas pela foice e o martelo da revolução. Nenhuma obra devia fazer sombra ao Livro Vermelho – a cartilha ideológica escrita por Mao. Confúcio foi uma das vítimas favoritas dessa caça às bruxas: sua filosofia foi declarada “burguesa ” e “contra-revolucionária ”, dois palavrões horrorosos para regimes comunistas ao redor do mundo. Em 1966, o governo mandou apreender e queimar todos os livros relacionados ao velho Mestre Kung – e o I Ching entrou na lista negra. Agentes do governo confiscavam exemplares da obra às centenas e prendiam quem ousasse escondê-los. Mas, nas aldeias remotas, em cabanas perdidas nas montanhas ou em redutos secretos das grandes cidades, as varetas de milefólio continuaram a ser lançadas, como acontecera nos milênios anteriores. “Atacado, proibido e perseguido, o I Ching só não desapareceu na China por ter sido preservado na clandestinidade, pelo uso popular ”, conta o monge budista Gustavo Alberto Corrêa Pinto.

Vendo que não podia vencer seus inimigos, o Partido Comunista resolveu unir-se a eles: na década de 1980, os governantes do país tiraram o confucionismo da ilegalidade e propuseram uma mescla entre os ensinamentos de Confúcio e Karl Marx. O I Ching saiu do índice dos livros proibidos e voltou ao panteão dos clássicos chineses.

Sentado no chão do pátio, à sombra de uma pereira centenária, o sábio lança varetas e consulta os oráculos do I Ching. Dia após dia, durante horas e horas, sem se cansar. “O Livro das Mutações é um ser vivo e em suas respostas podemos notar a marca de uma personalidade distinta ”, escreveu aquele intelectual alguns anos mais tarde, relatando suas experiências com o clássico. A cena descrita acima não se passa na China antiga, mas em um pequeno castelo na cidadezinha de Bollingen, na Suíça, durante o verão de 1920. O sábio sentado no chão é o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, um pioneiro no estudo do inconsciente humano no século 20. Jung, que de cético não tinha nada, acreditava que a mitologia e as religiões da Antiguidade podiam ajudar o homem a conhecer melhor sua própria alma. O psiquiatra sempre se interessou por filosofia oriental – mas foi nas férias de verão de 1920 que começou a lançar as varetas proféticas. Foi amor à primeira consulta. Encontrei relações cheias de sentido entre o que diziam os textos dos hexagrmas e meus próprios pensamentos – fato que eu não conseguia explicar a mim mesmo ”, conta Jung no livro Memórias, Sonhos, Reflexões. O fascínio do I Ching levou Jung a formular a teoria da “sincronicidade ”, segundo a qual, em determinadas ocasiões, paralelos emergem entre o mundo da mente e o mundo real – paralelos que, , segundo ele, a civilização ocidental chama de “mera coincidência ”. Para Jung, a coincidência não deve ser desprezada:o acaso, muitas vezes, faz sentido. A indicação de um determinado hexagrama pelo lançamento de varetas ou moedas pode parecer algo aleatório, mas também pode iluminar elementos ocultos no inconsciente de quem faz a consulta. Mesmo quando o sentido das frases é ambíguo e rarefeito, o simples ato de refletir sobre elas pode levar o paciente ao autoconhecimento. Jung testou sua teoria no consultório. Certa vez, tratava um jovem com complexo de Édipo que pretendia casar com uma mulher que lhe lembrava profundamente a própria mãe. O psiquiatra sugeriu que o paciente consultasse o I Ching – e o texto o hexagrama resultante era o seguinte: “A jovem é poderosa; não se deve casar com uma jovem assim ”. Pura coincidência? Talvez sim. Mas a terapia funcionou.

José Francisco Botelho

• I Ching –Princípios,Prática e Interpretação - Jean Schlumberger,Pensamento,2003

 • www.uol.com.br/iching - Versão online do livro mais antigo do mundo

 • The Mandate of Heaven - Steve Marshall,Columbia University Press,2001

 

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