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 TEOSOFIA E A REENCARNAÇÃO

15/3/2009

 

A Filosofia Esotérica Descrevendo a Reencarnação 

 

 

O texto a seguir −  resultado de estudos do e-grupo Ser Atento − mostra a visão da teosofia

autêntica sobre os ciclos do sono, sonho, despertar, vida, pós-morte, Devachan  e renascimento.

Ele nos propõe uma  “consciência de 360 graus”  em relação ao processo completo que ocorre

entre duas vidas físicas do mesmo indivíduo humano, normalmente separadas por um período que 

varia de mil a quatro mil anos.

 

 

 

1. Uma Característica da Teosofia Original

 

Antes de abordar o processo que ocorre entre duas vidas físicas da mesma alma imortal, existe algo que deve ser destacado.   Há uma premissa básica e essencial que estabelece um claro divisor de águas entre a teosofia clássica, de um lado, e, de outro lado, o catolicismo, o espiritismo, a pseudo-teosofia e outras formas de espiritualidade popular.    

 

Para a teosofia de Helena Blavatsky, todo e qualquer caminho espiritual passa pela ampliação natural e não-violenta do contato entre a alma mortal (eu inferior, kama-manas) e a alma imortal (também conhecida como mônada, atma-buddhi, eu superior).  

 

O apego a crenças ou cerimônias impede a livre busca.  E o uso ou a intenção de obter  “poderes” no plano astral − exercidos pelo eu inferior − são vistos como uma manipulação irresponsável,  que em muitos casos tem graves consequências no pós-morte e nas próximas vidas.  As raras exceções a esta regra correm por conta especialmente das poucas pessoas que têm o dom natural (e não buscado) de fazer curas; e que, além disso, o usam de modo altruísta e não como meio de enriquecimento pessoal.  

 

No grupo de erros graves por manipulação de energias sutis, mas não espirituais, entram a projeciologia, a mediunidade, a clarividência induzida, e toda e qualquer manipulação pessoal e intencional de energias sutis; estes são os chamados “siddhis inferiores”, cuja busca é um sério obstáculo para a verdadeira espiritualidade.

  As chamadas “canalizações”, quando não são mera fantasia, entram no mesmo grupo da mediunidade.  E quando são apenas fantasias têm, igualmente, o mau carma da falta de discernimento e da atitude infantil diante do que é sagrado.

 

A teosofia autêntica evita transformar o caminho espiritual em um espetáculo público de fogos de artifício. Ela não busca fatos extraordinários −  e quando eles acontecem não os divulga. Trabalhando lenta e gradualmente, ela transfere de modo silencioso e quase imperceptível o foco de consciência desde o eu inferior para o eu superior. Este é o caminho de Raja Ioga e Jnana Ioga: é um projeto de ação de longo prazo, e implica várias encarnações. 

 

Este caminho é percorrido através da reflexão, da autodisciplina, da auto-purificação,  e da contemplação das grandes verdades universais.  Ele inclui a ação altruísta;  a visão interdisciplinar e inter-religiosa das coisas; a impessoalidade e a prática da compaixão universal.  É o caminho da ampliação de Buddhi-Manas, o princípio da inteligência universal na consciência humana.   Este caminho faz parte da preparação da sexta sub-raça da quinta raça-raiz, que é, segundo a teosofia, o próximo passo da evolução humana. Esta não será uma sub-raça no sentido físico, e em teosofia – a filosofia da fraternidade – nenhuma raça-raiz ou sub-raça  é intrinsecamente superior ou inferior a outra.  Todas são igualmente instrumentos a serviço da evolução da mônada ou alma imortal, e cada mônada deve renascer nas diferentes raças-raízes e sub-raças. 

 

Qualquer forma de racismo é um mecanismo inaceitável de ignorância espiritual.  O novo tipo humano terá uma percepção de mundo naturalmente universal, e os pioneiros desta humanidade vêm despertando em números sempre crescentes  desde o final do século 19.  O movimento teosófico autêntico tem como meta ajudar este processo de estímulo e de despertar da inteligência superior, que é intrinsecamente solidária. 

 

Os cidadãos do futuro se caracterizam pela intuição raciocinada e pela razão intuitiva, características inseparáveis do sentimento de fraternidade planetária. Estas funções da consciência ativam novos circuitos cerebrais e novas áreas da mente humana.  E, nesse despertar, a atenção e o discernimento são fundamentais.  

 

Deve-se desenvolver a capacidade de enxergar o divisor de águas entre as “coisas pseudo-espirituais do eu inferior” e as “coisas verdadeiramente universais e essenciais”.  O correto é levar uma vida correta e altruísta, evitando as propostas “espirituais” aparentemente espetaculares,  mas que não possuem um conteúdo durável nem são aprovadas pelo bom senso.   

 

Para a  filosofia esotérica, como para o Novo Testamento,  o estudante deve, pois,   procurar o tesouro que está nos céus,  e o resto lhe será dado por acréscimo.  

 

Colocada esta premissa, vejamos como os Mestres dos Himalaias descrevem, em “Cartas dos Mahatmas Para A.P. Sinnett”,  o processo que ocorre entre duas vidas. É uma evolução que se desdobra em dois planos, fundamentalmente. Primeiro vem o plano do eu inferior; depois, o plano do eu superior. 

 

 2. Kama-loka – O Local dos Desejos

 

A primeira etapa após a morte física é o kama-loka (literalmente, “local de desejos e sentimentos pessoais”). 

 

O kama-loka corresponde de algum modo ao “purgatório” cristão. A grande diferença, é claro,  está em que o purgatório cristão é um local coletivo administrado autoritariamente pelo deus dos sacerdotes, enquanto o kama-loka é um estado de espírito, e é chamado de um “local” apenas no sentido simbólico. O kama-loka é uma realidade subjetiva inteiramente individual. É o produto do carma específico daquela alma mortal. É a colheita do que foi plantado em vida pelo eu inferior. 

 

O trecho das “Cartas dos Mahatmas” que veremos a seguir começa revelando qual é a duração normal do kama-loka.  O Mestre informa que a duração do kama-loka dura, normalmente, “desde algumas horas até alguns poucos anos”, conforme o caso e salvo as exceções.    

 

O trecho deixa claro que os suicídios são algo gravíssimo; e que outros tipos de morte violenta também causam situações extremamente difíceis no processo pós-morte.  A gravidade destas situações decorre do fato de que a alma ainda não está preparada para desapegar-se interiormente de nada, inclusive devido à sua pouca idade, em muitos casos, e devido ao fato de que a morte ocorreu durante a vivência de fortes paixões pessoais. 

 

A conclusão prática disso em termos sociais é que deveríamos evitar ao máximo as mortes no trânsito e outros tipos de morte violenta, no Brasil e no mundo. É de fundamental importância que as pessoas tenham a chance de viver vidas longas, de refletir sobre a vida, e inclusive de rever suas vidas nos anos finais.  A constante recordação do passado, feita pelos idosos, é saudável e útil. Ela prepara lentamente o terreno para os decisivos “30 a 90 segundos” finais de vida, quando a revisão final de toda a existência ocorrerá como em um “flash”, determinando a “resultante vetorial”, a nota-chave cármica, o rumo de todo o processo sutil que vai desde  uma vida física até outra vida física. 

 

Assim, quando os idosos revisam constantemente fatos passados há muito, eles não estão “ficando caducos”, não.  Eles estão organizando suas lembranças, organizando seus arquivos vivenciais, tirando lições, e trabalhando ativamente para “deixar seus papéis em ordem” quando se forem.   Isso não quer dizer que estejam perto da morte. A tarefa pode começar décadas antes.  Os seres humanos podem e devem ter todo o seu passado a seu lado, conscientemente, enquanto vivem o presente. A negação artificial e voluntariosa do passado não ajuda.  É a compreensão do passado, e não a sua supressão, que ilumina a alma e a liberta para viver o presente. 

 

Finalmente, este trecho das Cartas esclarece o verdadeiro desastre humano e espiritual que é a prática espírita ou umbandista da mediunidade.  No futuro, podemos esperar que os movimentos espíritas compreendam e se libertem deste erro, adotando uma visão mais ampla das coisas e compreendendo que, na verdade, o caminho espiritual gira em torno do eu superior ou alma imortal, e não da alma mortal ou de suas cascas astrais.  

 

Nos parágrafos a seguir, o mestre usa o termo “Ego” como sinônimo de “eu superior”. Outros termos técnicos são explicados em notas de pé de página numeradas, cuja calma leitura será provavelmente indispensável para que o texto seja completamente compreendido. 

 

Diz o Mestre:

A regra é que uma pessoa que tenha uma morte natural permaneça “desde algumas horas até uns poucos anos” dentro da atração da terra, isto é, no Kama-loka. Mas há exceções, no caso dos suicidas e daqueles que têm uma morte violenta em geral.

 

Consequentemente, um destes Egos, por exemplo, que estivesse destinado a viver, digamos, 80 ou 90 anos, mas que se matou ou foi morto por acidente, vamos supor, aos 20 anos – teria que passar no Kama-loka não “alguns anos”, mas neste caso 60 ou 70 anos, como um Elementário [1] , ou mais precisamente um “andarilho terrestre”, já que ele não é, infelizmente para ele, nem mesmo uma “casca”. Felizes, três vezes felizes, em comparação, são aquelas entidades desencarnadas que dormem seu longo sono e vivem em sonhos no seio do Espaço! E pobres daqueles cuja Trishna [2] os atraia para os médiuns, e pobres destes últimos, que os colocam em tentação com um Upadana [3] tão fácil. Pois ao agarrar-se a eles e satisfazer sua sede de vida, o médium ajuda a desenvolver neles – é de fato a causa de – um novo conjunto de Skandhas [4] , um novo corpo, com tendências e paixões muito piores que as do corpo anterior. Todo o futuro deste novo corpo será determinado, deste modo, não só pelo Carma de demérito do conjunto ou grupo anterior, mas também pelo do novo conjunto do futuro ser. Se pelo menos os médiuns e espíritas soubessem, como eu disse, que cada novo “anjo-guia” a que eles dão as boas-vindas em êxtase é induzido por eles a um Upadana que produzirá uma série de males indescritíveis para o novo Ego, o qual renascerá sob a sua sombra abominável, e que a cada sessão espírita – especialmente com materialização – eles multiplicam as causas de sofrimento, causas que farão o infeliz Ego fracassar em seu nascimento espiritual, renascer na pior das suas existências – eles seriam, talvez, menos liberais na sua hospitalidade.

 

[ Da Carta 68, pp. 312-313, vol. I, de “Cartas dos Mahatmas Para A. P. Sinnett”, Ed. Teosófica, Brasília, dois volumes.  ]

 

NOTAS:

 

[1] Elementário: casca astral em que predominam energias desarmônicas e anti-evolutivas.  

 

[2] Trishna: sede de viver, em sânscrito. 

 

[3] Upadana: a aquisição de órgãos sensoriais, em sânscrito. 

 

[4] Skandhas: registros cármicos que perduram de uma vida para a outra. 

 

 

3. Que Consciência Existe no Pós-morte?   

 

Vejamos agora como funciona a consciência,  nas etapas do  pós-morte que ocorrem no kama-loka.   Os dois fragmentos a seguir pertencem à Carta 70 C, volume I de  “Cartas dos Mahatmas Para A.P. Sinnett”. Devemos olhar para eles sabendo que são apenas dois curtos fragmentos. Eles esclarecem algumas coisas, mas ao mesmo tempo levantam outras muitas perguntas.

 

Também é importante levar em conta que estes relatos e ensinamentos não podem ser compreendidos repentinamente. O inconsciente e o subconsciente do estudante têm seus ritmos próprios, diferentes da mente consciente, e necessitam participar deste processo de investigação. Daí a necessidade de paciência. A perplexidade é natural e, como veremos  mais adiante, deve ser respeitada. 

 

O primeiro dos dois fragmentos inclui  o conceito de “feiticeiros”, usando-o  no sentido de “feiticeiros egoístas”.  Não nos interessa investigar aqui esta situação infeliz. Basta saber que são seres destituídos de inteligência espiritual, mas bastante astuciosos em sua busca de metas egocêntricas.  Estes seres conseguem postergar de certo modo a sua colheita cármica “durante um certo número de vidas”. Mas este tema não nos interessa. Nosso caminho é o caminho da inteligência espiritual e da unidade  consciente com a Lei Una, a lei da Verdade e do Amor universais.

 

O termo “adepto” significa um “iniciado experiente no caminho da Iluminação espiritual e cósmica”, que é o caminho do altruísmo e do auto-sacrifício pela libertação de todos os seres.

 

No primeiro fragmento, o mestre afirma que só em casos excepcionais alguém percebe, no pós-morte,  que o seu corpo físico está morto.  Alguém perguntará: “Como pode ser isso?” A resposta é simples. Usando a  lei da analogia, cabe lembrar que também no estado de sonho raramente alguém percebe que possui um corpo físico, e que este corpo físico está adormecido, tranquilo e descansando. A situação é equivalente. 

 

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Category : ESOTERISMO, CANALIZAÇÕES, UFOLOGIA Print

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