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 O SIGNO DE ESCORPIÃO E A MITOLOGIA

8/7/2010


Hércules e a Hidra de Lerna

A Hidra era um monstro terrível que habitava numa caverna e infestava um pântano insondável. O monstro era uma serpente gigantesca com nove cabeças, sendo que uma era imortal. Seu hálito fétido, apenas, era capaz de destruir toda a vida ao seu redor, inclusive os rebanhos e as colheitas do lugar. Hércules usou flechas incandescentes para forçar o monstro a sair da caverna. O animal, enfurecido, tentava atingi-lo com sua cauda, mas ele se esquivava e golpeava as cabeças do monstro. A cada cabeça cortada, surgiam duas outras em seu lugar.

A luta prosseguiu até que Hércules se lembrou das palavras de seu mestre: é ajoelhando que nos elevamos e é nos rendendo que triunfamos. Então ele se ajoelhou e ergueu o monstro da água para a luz do sol. Conforme a luz batia sobre a hidra, ela encolhia cada vez mais até cair sem vida. Só a cabeça imortal ainda se agitava. Então Hércules a cortou e em seu lugar surgiu uma jóia.

O pântano onde habita a Hidra é a mente. Cada vez que uma cabeça é decepada outras duas aparecem. Acontece o mesmo com os pensamentos negativos: quando afastamos um, outros tomam seu lugar. Erguer o monstro no ar significa expor a fera interior à consciência, à razão, examiná-la à luz da sabedoria e do pensamento elevado. Assim, as respostas aos nossos problemas muitas vezes vêm quando buscamos um novo ângulo, uma nova perspectiva. Uma das cabeças contém uma jóia, ou seja, toda a dificuldade, por pior que seja, contém em si, algo de inestimável valor, um dom, uma fonte de poder.

Escorpião, signo oposto a Touro, significa o espírito, o que não tem forma. Aqui aparece em seu aspecto mais transcendente, a águia, simbolizando a vitória sobre as paixões, ou natureza animal propriamente dita. O verbo correspondente é Ousar. Ousar enfrentar a matéria, ultrapassá-la e vencê-la, divinizando-a, sem rejeitá-la, porque fora do plano material, não existe evolução. O apego material é que nos mantêm presos à Roda dos Renascimentos e Mortes.

Aquele que conhece os outros é sábio; mas quem conhece a si mesmo é iluminado!

Aquele que vence os outros é forte; mas aquele que vence a si mesmo é poderoso!

(Tao Te King, cap. 33; Lao Tsé)

A tarefa mais difícil para o ser humano é governar a si mesmo. Ainda temos que vencer a hidra, a matéria é o campo de batalha onde evoluímos. O desafio é fazer com que a mente, a emoção e a natureza física funcionem como uma unidade. Quando achamos que já superamos nossos instintos, eles nos surpreendem. Temos que mostrar a nós mesmos que a matéria não pode nos deter no caminho que já iniciamos. Sem a experiência física não podemos ter contato com o divino, até porque Deus está no nosso próximo, na natureza. Tudo depende do tipo de relação que  mantemos com o mundo material: se de apego ou de desprendimento.

Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a ferrugem e as traças corroem, onde os ladrões cavam e roubam. Ajuntai para vós tesouros no céu, onde não os consomem nem as traças nem a ferrugem, e os ladrões não cavam nem roubam, porque onde está o teu tesouro, lá também está teu coração. (Mateus 6.19-21 e Lucas XII, 33-34)

Desenvolver dons espirituais, não amarrar nossa felicidade na matéria, que é transitória, mas nas coisas do mundo do espírito, eis a receita da paz emocional. Quem se apega a suas posses materiais perde a paz quando fica sem elas. Se guardarmos bens espirituais, ninguém nos poderá tirá-los.

 

Calar-Ousar (Eixo Touro/Escorpião)

Fora da experiência material não existe evolução. É na luta diária na matéria que conquistamos a consciência. É fácil ser santo longe das tentações, ou, como dizia o caro Prof. Waldyr: “É na guerra que se ganham medalhas...”

Leão: o mito de Parsifal e o Rei do Graal

O Graal, um objeto misterioso, sustentador e preservador da vida, é guardado por um rei doente num castelo difícil de se achar. A região em volta do castelo está devastada. O rei e a terra só se recuperarão se um cavaleiro perfeito, de nobres virtudes, encontrar o castelo e, ao ver o que nele há, fizer uma determinada pergunta. Se ele não o fizer, tudo vai continuar como está, o castelo vai desaparecer e o cavaleiro terá que iniciar uma nova busca. Se ele for bem sucedido, o rei sara, a terra floresce e ele se torna o novo guardião do Graal. Parsifal levanta o Santo Graal enquanto uma pomba desce sobre ele.

Parsifal, criado pela mãe num bosque isolado, um dia vê passar cinco cavaleiros e resolve seguir com eles, sem ao menos se despedir da mãe, que acaba morrendo de desgosto. Na viagem, briga com o cavaleiro vermelho e o mata. Encontra uma donzela em apuros, apaixona-se e se inicia sexualmente com ela, mas acaba abandonando-a, tal como fez com a mãe. Chegando a um rio profundo e sem passagem possível, ele vê um pescador que lhe indica o caminho para o castelo. No mesmo instante, do rio emerge o castelo, e ele entra. O rei estava ferido na coxa ou na virilha, dependendo do narrador. Então ele tem a visão de uma espada, uma lança gotejando sangue,  uma moça trazendo um Graal de ouro cravejado de pedras preciosas e outra moça com uma bandeja de prata. Ele permanece em silêncio e não ousa dizer nenhuma palavra enquanto vê os objetos. Vai dormir e, quando acorda, o castelo está deserto. Ao sair encontra uma mulher que lhe diz que ele fracassou, pois não fez a pergunta. Parsifal vai embora e passa por muitas aventuras e muito sofrimento, o que lhe confere sabedoria e compaixão. Só então é capaz de reencontrar o castelo, ver o Graal e fazer a pergunta fatal: - a quem serve o Graal? Ao som destas palavras, o rei fica curado e revela ser seu avô. A terra floresce novamente e ele se torna o guardião do Graal.

A prova de Parsifal não é nenhum feito heróico, apenas uma pergunta. Significa a capacidade de se tornar consciente do significado das coisas, uma qualidade de reflexão que tem de ser adquirida. Criado sem pai, Parsifal busca esse princípio masculino na aventura de sua vida. Ele é uma criatura indiferente e insensível, pois mata alguém por puro exibicionismo e não liga para o amor, tanto da mãe, quanto da namorada. Ele é egoísta mas é um rei, apenas sem o verniz ainda da realeza. Só os sofrimentos e as desventuras da vida lhe conferem a maturidade e o sentimento de compaixão pelo sofrimento alheio, que o fazem pronunciar a pergunta. O rei, já curado, é seu avô, um pai de ordem superior ou divina.

A pergunta - A quem o Graal serve? - implica a existência de algo ou alguém superior, poderoso, digno de ser servido; esse alguém é o Pai Celeste, o doador da vida, adorado como Sol, cuja fonte de amor e compaixão é representada pelo Graal.  O Graal é um símbolo feminino, pois é capaz de conter algo como a mãe contém o filho em seu ventre. É portanto um símbolo lunar. A lua reflete a luz do sol, e o Graal serve ao sol espiritual, ou seja, a Deus. Isso implica que o sacrifício ou sacro-ofício que o Graal preconiza é o sacrifício da personalidade, o aspecto lunar. Parsifal está deixando de viver como um ego e inicia a jornada rumo ao self, a individualidade integrada.  

Leão, signo de Fogo, regido pelo Sol, é a cauda e as patas, onde estão as garras. Simboliza  a individualidade. O Sol é o coração do mapa. E por ser coração é também o Amor. Sendo oposto a Aquário, signo da Fraternidade, indica que é preciso transformar o Amor Próprio em Amor ao Próximo, que deve haver equilíbrio entre individual e coletivo, tal como as células que, apesar de terem consciência individual, atuam de forma global dentro do organismo maior, que é o nosso corpo. 

Leão é Querer. Querer entendido como Vontade. Quando rezamos Seja feita a Vossa Vontade, estamos concordando em que as vontades individuais não devem prevalecer sobre a Vontade de Deus e a Vontade de Deus é o Bem da Humanidade, que deve nortear toda a ação do ser humano autoconsciente.   

Porque todo aquele que se exaltar será humilhado, e todo aquele que se humilhar será exaltado
(Lucas 14. 11)

Todo aquele que quiser tornar-se grande entre vós, se faça vosso servo, e o que quiser tornar-se o primeiro dentre vós se faça vosso escravo, assim como o Filho do Homem veio, não para ser servido, mas para dar a sua vida em resgate de muitos. (Mateus 20. 26-28)

O Sol é um símbolo do espírito, da consciência e da vontade. Quando desconectado da natureza superior, ele é conhecido como Ego e associado à personalidade, ao orgulho, à tirania e ao egoísmo. Quando está conectado com a unidade da vida universal, é conhecido como Self. Esse último tem a ver com o conceito de livre-arbítrio, com o querer. Só então o amor próprio pode se transformar em amor ao próximo.


por Dinani Terçarolli

Category : HISTÓRIA, FILOSOFIA, TRADIÇÃO, MITOLOGIA Print

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