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 A ORDEM DOS TEMPLÁRIOS

30/6/2010

 

 

A ORIGEM DA ORDEM DOS TEMPLÁRIOS


A Ordem dos Templários surgiu quando os cristãos perceberam que necessitavam de proteção após conquistar determinados territórios e fortalezas, pois os turcos findavam por retomá-los. Concluiu-se, então, ser necessária uma permanente guarda nesses postos estratégicos e no próprio caminho que ia do Ocidente ao Oriente. Depois que conseguissem libertar Jerusalém, seria preciso que alguém ficasse custodiando, pois, do contrário, a cidade seria retomada tão logo eles voltassem para a Europa. Daí surgiu a idéia de se criar uma espécie de tropa de cavaleiros que permanecesse continuamente em seus lugares.
A primeira ordem a surgir foi a dos hospitalários. Como o próprio nome indica, os hospitalários tinham a finalidade de socorrer os peregrinos, até que eles voltassem para a Europa, propiciando-lhes escolta, abrigo, sustendo e defesa em seu retorno. Entretanto, logo em seguida, viu-se a necessidade de uma tropa que, além de proteger os peregrinos, garantisse militarmente o que eles chamavam de lugares santos, ou seja, Jerusalém, Belém, Nazaré, e também todos os postos intermediários, uma vez que a própria Constantinopla já estava ameaçada pelos turcos.


Foi então que surgiu, precisamente no ano de 1118, a Ordem dos Templários, fundada por um cavaleiro francês, Hugo de Paganis, que idealizou uma agremiação de cavaleiros que se obrigassem por uma regra e que, além disso, vivessem continuamente juntos, o que era uma novidade, à época. Paganis sugeria que os cavaleiros vivessem em mosteiros, como se fossem monges, porque achava que esta era uma forma de aglutinar forças. Deste modo foi que surgiu a Ordem dos Templários, assim chamada por causa do Templo de Jerusalém, o edifício sagrado tanto para os judeus do Antigo Testamento quanto para os cristãos e, posteriormente, também para os muçulmanos. Para todos esses, Jerusalém era uma cidade santa, e seu templo viria a ser uma espécie de símbolo da união das três religiões. Assim, os Templários tinham como objetivo proteger o templo.


Para não haver desencontros, eles, já na Europa, ficariam reunidos, morando todos em um mesmo lugar. Quando partissem para uma expedição, partiriam todos juntos: este era o ideal de Hugo de Paganis, que também adotava como norma a pobreza absoluta, para que nenhum deles tivesse qualquer vislumbre de vanglória em ir para o Oriente. O ideal, dizia Hugo de Paganis, seria que cada Templário só pudesse montar a cavalo junto com outro Templário, ou seja, haveria um só cavalo para dois integrantes da Ordem, para que ninguém tivesse sequer um cavalo próprio. É por isso que, no antigo selo da Ordem Templária, pode-se ver um cavalo montado por dois cavaleiros.


O abade de Claraval, Bernardo, um homem de grande prestígio na Idade média, talvez a maior figura de seu tempo, e cuja influência na Igreja, em certo sentido, era até maior que a do Papa, foi consultado a respeito da criação da nova ordem. Aprovou a idéia e tratou de convencer as pessoas da validade do plano desse cavaleiro. O próprio abade, segundo a tradição, redigiu a Regra dos Templários. Mas era preciso conquistar, através de seu prestígio, o apoio das pessoas, que deveriam dar algum dinheiro, para que pudessem construir suas primeiras casas etc. Conta a história que ele teria aproveitado uma oportunidade, quando foi convocado para um concílio, como abade que era de Claraval, em que estavam presentes bispos de várias partes do mundo conhecido. Pediu, então, a palavra e disse: "Estou aqui com um problema e gostaria de pedir opiniões. Fui procurado por quatro ou cinco cavaleiros, liderados por Hugo de Paganis, que querem formar uma associação religiosa e militar ao mesmo tempo".


Isto era uma grande novidade na Europa, pois, até aquele momento, havia a cavalaria e havia os monges, mas não uma ordem militar e, a um tempo, religiosa. Então o abade tentou explicar o que seria essa cavalaria religiosa, ou essa congregação religiosa e militar, proferindo a que se tornou uma das mais belas peças de oratória, que é conhecida pelo nome de "Elogio da Nova Milícia", sendo notável a comparação entre um cavaleiro comum e aquele que viesse a se congregar na Ordem Templária, demonstrando, em certo sentido, que esta última estaria acima da própria cavalaria, um passo adiante - algo mais requintado, uma dedicação ainda maior.
Louis Charpentier afirma que a criação da Ordem dos Templários, mais do que manter um poder religioso-militar no Oriente Próximo, visava a redescoberta da Tábuas da Lei que se encontravam dentro da Arca da Aliança, guardada no Templo de Jerusalém, que fora construído por Salomão para a eterna habitação do Senhor.


O grande interesse de São Bernardo de Claraval pela Arca e pelas Tábuas naturalmente não se prendia apenas ao valor religioso que elas apresentavam, mas, também, pelos capítulos mais importantes e essenciais nelas escondidos cuidadosamente e fora do alcance do público.
Essa parte continha sabedoria antiqüíssima, a verdadeira Lei Divina participada a Moisés no monte Sinai, ou escrita por ele mesmo com os conhecimentos adquiridos através de sua iniciação no Egito. Seja qual for o sentido esotérico dos documentos trazidos, o fato é que nas Tábuas não havia mensagens míticas ou considerações vagas que pudessem dar margem a interpretações arbitrárias, pois formava uma enciclopédia compacta e de natureza científica.
Esse era o motivo por que São Bernardo, talvez em conseqüência das informações dos teólogos e cabalistas judeus, e após uma pesquisa preparatória de muitas reuniões, havia dado ordens a Hugo de Paganis para conquistar a Arca e seu conteúdo inestimável.
Graças ao prestígio de São Bernardo, a Ordem foi aprovada, e imediatamente a Regra passou a ser publicada em toda a Europa, da maneira pela qual se faziam as publicações naquela época (quando não havia imprensa): nas salas de leitura, nas igrejas, nas praças. Com isso surge no Ocidente algo que já havia há muito tempo no Oriente: a conjuração, numa mesma pessoa, dos valores da religião com os valores da guerra. Isto representava, em certo sentido, um caminho novo que se abria no Ocidente.


Os Templários tinham de fazer, de acordo com a regra, o voto de pobreza, isto é, não poderiam ter absolutamente nenhuma propriedade. Todas pertenceriam à Ordem. Apenas os que resolvessem casar-se, mediante uma licença especial, poderiam ter propriedades. Devia, ainda, obediência absoluta ao superior, que era chamado Grão-mestre da Ordem Templária, e castidade. Havia vários graus dentro da Ordem Templária: Os cavaleiros, que eram os que realmente iam à batalha; os capelães, que entravam na Ordem apenas para ministrar os sacramentos; os sargentos, que ajudavam na arregimentação militar; e os serventes, uma espécie de peões. Aos poucos a Ordem Templária começou a ser beneficiada por indivíduos ricos que, não tendo herdeiros, e entusiasmados pela Ordem, deixavam-lhe seus bens e propriedades. Esta era, também, uma forma de apoiar o ideal. Daí, surgiu a necessidade de um tesoureiro, que passou a se chamado comendador.

O crescimento da agremiação foi vertiginoso e, em pouco tempo, abrangia praticamente toda a Europa, existindo na França, Inglaterra, Itália, Espanha, Portugal , Alemanha, Polônia e até na Rússia Ocidental havia casa dos cavaleiros Templários, com cem, duzentos ou trezentos membros, com propriedades em volta, provenientes de doações, que os foram tornando poderosos. O lema dos Templários era "não para nós, Senhor, não para nós, mas para a glória de Teu nome", onde demonstravam humildade absoluta, e que não pretendiam, com suas lutas, nenhuma glória pessoal, mas apenas glorificar o nome de Deus. Possuíam, também, um voto especial de somente evitar batalha quando houvesse mais de três combatentes do lado oposto, visto que considerava-se uma infidelidade ao voto não combaterem quando os adversários somassem dois ou três, o que exigia heroísmo e sacrifício, tendo muitos morrido por causa disso.

 

A vestimenta dos Templários consistia em uma cota de malha, para a guerra, como todos os outros cavaleiros, mas com uma espécie de camisolão branco, em que se vislumbrava uma cruz marchetada em vermelho. Esta é a cruz Templária, que é achatada na ponta, usada para distinguir o cavaleiro Templário dos demais. Dentro dos mosteiros, usavam dois tipos de vestimentas: no verão, uma espécie de linho áspero, e, no inverno, lã - apenas uma túnica. Não poderiam colocar mais uma túnica caso estivessem sentindo frio. Era um tipo Franciscano de vida. Aliás, São Francisco foi um grande admirador dos Templários, e muito do espírito Franciscano - pobreza, renúncia, etc., teve inspiração no espírito Templário. Usavam cabelos curtos, numa época em que a moda eram os cabelos compridos, pois consideravam que o tempo que levariam cuidando dos cabelos poderia ser aplicado em coisas mais úteis. Só tinham duas refeições por dia, com ausência de carne durante toda a quaresma. A alimentação era frugal, mas permitia-se, fora da quaresma, o vinho. Além disso, tinham de realizar todos os ofícios canônicos, por exemplo, rezar todos os hinos monásticos, desde a manhã até a noite. Às vezes iam para a batalha cantando estes hinos.
 
PARTICIPAÇÃO DOS TEMPLÁRIOS NA GUERRA DAS CRUZADAS


A partir da entrada dos Templários na Guerra das Cruzadas, o panorama se modifica inteiramente, por que temos aí uma tropa de elite, que vai para ficar, e não com a expectativa de voltar correndo para casa, como ocorria a todo cruzado. Os Templários iam para ficar até quando fosse necessário. Conquistaram vários postos chave, por exemplo, a ilha de Malta - quase todos os castelos desta ilha, até hoje da maior importância estratégica no Mediterrâneo, foram construídos por eles. Fizeram também as fortalezas de São João do Acre e de Mansuraque, hoje consideradas postos estratégicos no Oriente Médio, devido à sua localização. Havia arquitetos que ingressavam anonimamente na Ordem dos Templários, de modo que não se sabia quem as havia idealizado e desenhado. Cada castelo havia sido construído para atender a uma necessidade, não sendo necessário saber quem fora o autor da obra.


Os Templários participaram ativamente em várias batalhas, fazendo com que todo o esforço guerreiro recaísse sobre seus ombros. Na batalha de Gaza, por exemplo, de trezentos Templários que se envolveram contaram-se apenas dezoito sobreviventes. No cerco de São João do Acre, sustentaram durante dois anos a luta contra os turcos, porque deviam eles ficar lá até que se resolvesse a questão. Com isso, toda a estrutura de guerra melhorou. Quando foi suprimida a Ordem dos Templários, começaram a decair todas as Cruzadas.


Há alguns episódios de heroísmo dos Templários, dignos de serem relatados. Um Templário é preso pelos turcos, que o amarram a uma cruz e o colocam sobre a muralha da cidade, para evitar o ataque dos outros cavaleiros Templários. Mas, ao chegarem estes, o próprio prisioneiro insistiu em que deviam atacar a cidade mesmo ao preço de sua morte. E, realmente, os turcos ficaram muitos espantados quando viram que os cavaleiros se organizaram e marcharam em direção à cidade, imediatamente matando o companheiro com uma lança (com o que se completou o simbolismo da cruz e da lança).


Outro episódio que demonstra o prestígio da Ordem dos Templários, constituindo-se em verdadeiro elogio, foi o do sultão do Oriente que se tornou amigo do rei da Inglaterra.  Ele não era, portanto, europeu ou cristão, porém muçulmano. Saladino, talvez um dos maiores reis que o Oriente já teve, pediu ao rei Ricardo: Desejava ser Templário.


A maior honra que este homem vislumbrava, sua maior ambição, não era ser imperador do Sacro Império, nem ser Papa. Ele queria apenas ser Templário, pois nunca havia visto coisa tão digna e maravilhosa quanto os Templários. Ricardo respondeu-lhe que seria ele o primeiro Templário muçulmano, mas isto seria impossível. Realmente, este foi o maior elogio que a cavalaria recebeu de uma pessoa não européia e não cristã.


Apesar de tudo, é preciso mostrar, também, o outro lado da medalha. Essa instituição, que foi criada na Europa cristã do século XI, e que realizou todas essas maravilhas, foi também violentamente atacada pelos próprios cristãos, sendo suprimida pelo rei da França, que era a nação mais católica da terra, e pelo Papa. O que iria levar a maior autoridade espiritual e a maior autoridade política da terra a suprimir esta ordem, a mais extraordinária e benéfica que a Europa havia conhecido até então, e que só servia à sua defesa?
 
O PROCESSO DOS TEMPLÁRIOS


O poder da Ordem Templária era incontestável. Tinha terras, mosteiros, tinha grande poder econômico, porque não utilizavam individualmente o patrimônio: nenhum Templário comprava uma túnica melhor por causa da riqueza, e continuavam vivendo frugalmente nos mosteiros. Mas a Ordem em si era riquíssima, e isto começou a despertar cobiça. O primeiro que teve a idéia de lançar mão sobre os bens dos Templários foi o rei da França  Felipe, o Belo. Ele percebeu que poderia consertar as finanças do país quando conseguisse se apoderar dos bens dos Templários. Assim, procurou entrar em contato com um advogado, chamado Nogaret, e disse-lhe que precisava apossar-se das riquezas dos Templários, porque o reino estava na ruína. Nogaret respondeu que somente com o apoio do Papa isto seria possível, pois, do contrário, ele os excomungaria.


O Papa, na época, era Clemente V, um indivíduo que, segundo consta, fora eleito depois de muitas discussões e escrutínios. Além disso, era de temperamento contemporizador, que gostava de por panos quentes, sem tomar nenhuma decisão precipitada, mas também nenhuma atitude firme. E, historicamente, sabe-se que foi eleito graças ao apoio dos cardeais franceses. Felipe fez pressão sobre os cardeais, e estes, por sua vez, começaram a fazer pressão sobre o Papa, o qual, sendo um moderado, um homem do diálogo, começou a achar que talvez fosse interessante convocar o chefe dos Templários para uma conversa. Ele pretendia que os Templários e os Hospitalários se fundissem numa só ordem.A verdade é que os hospitalários não compareceram a esta convocação do Papa, e o único que a atendeu foi o grão-mestre dos Templários, Jacques de Molay, em 1306, o qual descartou qualquer tentativa de desagregação ou justaposição da Ordem dos Templários com qualquer outra ordem, e, deixando claro que não aceitaria nenhuma transferência da Ordem dos Templários para a dos Hospitalários, despediu-se do Papa, pois estava lutando na Síria e tinha de continuar seu trabalho. Felipe, o Belo, recebendo do Papa a notícia de que era difícil dissolver a Ordem dos Templários, pois não havia nenhuma acusação que justificasse essa dissolução, teve a idéia de acusar os Templários de heresia.


Hereges eram chamados os indivíduos que não professavam integralmente a fé católica.
Conforme a acusação de Felipe, o Belo, os Templários seriam heréticos, pois "não adoravam a Cristo" e "obrigavam todo iniciado a repudiar o Cristo, antes de se tornar Templário". Acusava-os, ainda, de "adorarem um ídolo, chamado Baphomet, em cerimônias ocultas", de "praticarem a sodomia" e de serem "maniqueístas, acreditando existir o Deus do Bem e o Deus do Mal".
Nogaret mandou, então, que se compilassem todas essas acusações , que foram assinadas por onze pessoas e aprovadas por Felipe, o qual, antes que o Papa se pronunciasse, em nome da fé ameaçada, mandou prender todos os Templários que estivessem na França naquele momento. Eles estavam em seus mosteiros quando, de repente, as tropas do rei os cercaram e, obrigando-os a sair, levaram todos para a prisão. Foram submetidos à tortura, às mais horríveis que se possa imaginar, de modo que alguns "confessaram" que "adoravam ídolos", "que não eram cristãos", tudo enfim. Diante deste resultado, Felipe escreveu ao Papa, que ficou apavoradíssimo.


Mas os Templários que conseguiram escapar mandaram um comunicado para o grão-mestre, que estava na Síria, narrando todo o ocorrido. O grão-mestre voltou apressadamente, o que na época significava três ou quatro meses de viagem em navio, para poder ter uma audiência com o Papa. Depois de várias negativas, o Papa finalmente concordou em recebê-lo. Jacques de Molay se mostrou estupefato diante do que tinham tramado contra os Templários; nem quis referir-se ao fato de ter sido uma ordem fundada por São Bernardo, aprovada pela Igreja desde 1118.
Somente após mais de duzentos anos a Igreja teria "percebido" que essa ordem não era Cristã? Um absurdo! Era uma acusação falsa, para destruir a Ordem. Mas o Papa esquivou-se argumentando que a acusação partira do rei da França e que alguns bispos já a haviam assinado.


Jacques de Molay replicou, pedindo que o Papa mandasse investigar imediatamente as acusações, na França ou em qualquer outro lugar em que os Templários tivessem casas, para ver se estavam fazendo aquilo de que eram acusados.    O Papa deu uma resposta evasiva, não confirmando se iria fazer ou não esta investigação. Finalmente, em 26 de novembro de 1309, Jacques de Molay, que estava na França, também foi preso. Nesse período de dois anos, Felipe, o Belo, já havia começado a executar os Templários que haviam "confessado", antes mesmo da própria condenação de Roma.


E a pena, no caso de heresia e idolatria, era a morte na fogueira. Todos foram queimados vivos.
Jacques de Molay também compareceu aos tribunais do rei Felipe, sendo submetido a um interrogatório malicioso, querendo jogá-lo em contradição consigo mesmo. Chegaram a dizer que a cruz dos Templários não era a cruz de Cristo, tendo Jacques de Molay respondido: "Se o senhor diz isto, então diz que São Bernardo era herético." Imediatamente mudaram de assunto.
Por outro lado, afirmava-se que eles adoravam um ídolo chamado Baphomet, que diziam ser uma mistura de Maomé com Baptista, e isto era uma ofensa para o precursor de Cristo. Jacques de Molay disse que nada tinha a responder, por tratar-se de um grande absurdo.


Com estes argumentos foram encaminhados os autos do processo. Não há um autor, inclusive entre os católicos, que considere legítimo o processo contra os Templários. Foi uma iniqüidade total, do princípio ao fim, e tudo foi forjado realmente por Felipe, o Belo, por interesses econômicos. E a fraqueza do Papa foi a de ter capitulado, pois embora soubesse da inocência dos Templários, o Papa cedeu ao rei da França.


Após a morte de Jacques de Molay, morreram mais de 2.500 Templários, a maior parte em fogueiras, em quase todos os países da Europa. Seguindo o exemplo do rei da França, também o rei da Inglaterra fez o que pode para tomar os bens dos Templários. Não obstante, muitos cavaleiros fugiram para a península Ibérica. Ali, curiosamente, o rei Dom Diniz não quis perseguir os Templários, de vez que não ficara convencido de sua culpabilidade. Por fim, o Papa dissolveu, oficialmente, a Ordem dos Templários, proibindo que qualquer pessoa realizasse cerimônias Templárias dali por diante. Conta-se que Jacques de Molay, quando estava na fogueira, teria gritado: "Felipe e Clemente, eu os espero no tribunal de Deus!"


Jacques de Molay morreu no dia 18 de março de 1314.
Oficialmente, a Ordem dos Templários estava suprimida.

 


O PROSSEGUIMENTO DO IDEAL DA ORDEM TEMPLÁRIA


Houve, porém, como é sabido, a fuga de alguns cavaleiros para Portugal. O rei Dom Diniz, depois de acolhê-los, sabendo que estavam acostumados ao regime monástico há muito tempo, resolveu criar uma ordem para eles. Mas para que o Papa não suspeitasse que eram Templários, nem fossem perseguidos por algum sicário do rei da França, ele criou a Ordem de Cristo, permitindo que o emblema continuasse sendo o mesmo da Ordem dos Templários, o que, por um mistério, passou desapercebido.


Então, os Templários perceberam que seu caminho estava barrado, mas que podiam continuar com seu ideal, fazendo alguma coisa. Isto é o que significa total aniquilamento do próprio ego: eles continuaram lutando pela cristandade, apesar do Papa e pela Europa, apesar do próprio rei! Isto é levar o espírito de renúncia ao grau de heroísmo. Os sobreviventes levaram algo das riquezas da ordem para Portugal. Segundo muitos historiadores, os empreendimentos das descobertas do rei de Portugal, no começo da era das descobertas, toda aquela iniciativa, que custava muito caro, foi financiada com o ouro dos Templários.


Dom Manoel, o Venturoso, que reinou durante a era das descobertas, mandou colocar nas caravelas, talvez por um desígnio providencial e divino, a Cruz da Ordem de Cristo, para que não restasse dúvida de que aquilo era obra dos Cavaleiros Templários. E é por isso que encontramos, no primeiro marco português em nossas terras, não as quinas portuguesas, mas a Cruz Templária. Abre-se, então, um caminho para a pesquisa. Há historiadores que afirmam que o descobrimento do Brasil não foi causal, porque os Templários tinham um conhecimento elevadíssimo de geografia, pois estudavam, nos mosteiros, coisas que então se ignoravam. Um núcleo, provavelmente ultra-secreto, dos Templários, formando a liderança da Ordem, dispunha, por meio do uso das Tábuas da Lei, de um conhecimento ainda hoje fora do alcance da humanidade. Exemplo disso foi a racionalização e a "revolução" da agricultura. No tempo do florescimento da Ordem dos Templários surgiu a arquitetura gótica.

 

Curiosamente este aparecimento foi repentino, e não o resultado de um crescimento orgânico e lento. O goticismo não cresceu da arquitetura romana, que o precedeu. Era algo completamente novo. Enquanto a arquitetura romana baseia-se numa força que age de cima para baixo, os arcos pontudos da catedral gótica baseiam-se exatamente no princípio contrário. Enquanto a cúpula romana pode cair, se mal construída, um arco gótico pode explodir. Em resumo, pode-se dizer que os arquitetos romanos, com toda sua inteligência, aplicaram nas suas construções uma técnica pouco diferente daquela usada pelos construtores megalíticos, quando amontoavam pedras pesadas umas sobre as outras. Já a catedral gótica exige um conhecimento muito maior, tais como dados científicos, tradicionalmente recebidos ou geometricamente calculados e recalculados constantemente. Ora, isso superava amplamente os conhecimentos da época.
 
E talvez tenha sido esse o motivo da inveja, e também o motivo pelo qual eles foram acusados de "feitiçaria" e de "idolatria", possivelmente relacionadas a experimentações científicas e alquímicas, num momento em que quem tivesse um pouco mais de cultura já estava quase a caminho da heresia. É evidente que o rei de Portugal quis dar um atestado de reconhecimento aos Templários. Esta teoria pode mudar a perspectiva histórica: o descobrimento do Brasil não teria sido casual, mas algo premeditado pelo geógrafos da Ordem de Cristo, que conheciam as terras do lado de cá do mundo, através de suas tradições e de seus conhecimentos. Existe até uma alegoria que nos mostra que a terra do Brasil é a única que tem como constelação a Cruz de Cristo (o Cruzeiro do Sul, que está exatamente em acima do Brasil), e tem o único mapa em que , longitudinalmente, se pode inscrever a forma da cruz. Essa é toda uma simbologia relacionada com o profundo estado de união mística, com as coisas mais elevadas, ao qual os Templários já haviam chegado. Fica, então, quase fora de dúvida que teriam sido os Templários a descobrir o Brasil. Não uma expedição do rei de Portugal, mas uma expedição dos Templários, sob a capa do rei de Portugal, agora com o nome de Ordem de Cristo.

 

 

O PRESTÍGIO DOS TEMPLÁRIOS


O prestígio dos Templários, através dos séculos, foi tão grande que várias outras associações reivindicaram filiação Templária, umas com mais, outras com menos razão. Como é sabido, a Ordem Rosa Cruz se diz descendente dos Templários; também a Franco-Maçonaria reivindica, orgulhosamente, a descendência Templária. Isto é um sinal de que o prestígio dos Templários, apesar da perseguição de que foram vítimas, é tal que, depois de séculos, continua havendo pessoas prestigiosas na sociedade que se orgulham de ser suas herdeiras. É preciso lembrar, também, que a Ordem Templária foi destruída, mas o espírito Templário é indestrutível. Podem cair os sistemas que os homens constróem, mas a centelha do ideal é indestrutível, e este ideal de dedicação dos Templários teria, depois, seguidores, imitadores e continuadores.

De qualquer maneira, eles deram um exemplo à humanidade, numa determinada época histórica, que por acaso foi a Idade Média; mas poderia ter sido a Idade Antiga, o século XX, XXI ou XXII, pois a sua obra é, em certo sentido, eterna e permanente. A afirmação de que a vida humana não é só ganhar dinheiro, alimentar-se bastante e com isso ter vida folgada, mas que se deve voltar para as coisas superiores, esta é a mensagem dos Templários. Toda a significação se resume nisso, chegando até a conciliação que é aparentemente inconciliável, a guerra e a religião - no entanto, eles conseguiram realizar esse ideal. E com isso deram um exemplo para todas as Idades. O espírito Templário continuará existindo. Podemos ser Templários hoje, sem túnica de tela ou de linho, sem usar a insígnia da Cruz Templária: basta que reconheçamos que existem valores com um alcance maior do que o de qualquer outro na terra, os valores do espírito. Se adotarmos essa postura, se admitirmos que a maior luta é a luta de lealdade, frente a frente, se tivermos um ideal de justiça, se nos colocarmos ao lado do mais fraco para defendê-lo, para limitar o poder do mais forte, a Ordem dos Templários continuará existindo, não terá sido destruída, apesar das fronteiras do tempo.

 

Pesquisa: Ir. Cav. Waldemartins Bueno de Oliveira – KTP

Revista Planeta Nº. 144 Setembro/1984 - Revista Thot nº23 nº.23 1981                                                                                                                                                      

Category : HISTÓRIA, FILOSOFIA, TRADIÇÃO, MITOLOGIA Print

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