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 TRANSPLANTES E AS MEMÓRIAS DO CORAÇÃO

16/6/2010



Transplantados que mudam de hábitos são um desafio às explicações da ciência


Por Gabriel Manzano Filho
E-mail: gmanzano@edglobo.com.br

Era uma vez um cinqüentão calmo, de vida feita, que adorava música erudita até que um dia, após ter feito um transplante cardíaco, passou a agir como jovem e a ouvir heavy metal em alto volume. O doador de seu coração era um rapaz de 20 anos, morto em um acidente de moto. Depois, soube-se do caso de uma senhora muito recatada que também sofreu um transplante no qual herdou o coração de outra mulher - esta, de temperamento bem diferente, grande apreciadora de sexo. Para surpresa do marido, seu comportamento conjugal mudou radicalmente dali por diante. Mais espantosa, ainda, foi a história da menina de dez anos que recebeu o coração de outra de oito, poucas horas depois de esta ter sido assassinada. Tempos depois, ao fim de uma sucessão de pesadelos, ela "reviveu" a cena fatal de sua doadora - o rosto do assassino, uma arma, um lugar. A polícia foi informada e capturou o criminoso, que confessou tudo.

Foram histórias assim que animaram o médico americano Paul Pearsall, ele próprio salvo de um câncer nos ossos por um transplante de medula, a investigar se haveria algum tipo de energia, ou memória, que passasse de uma pessoa para outra através do coração. Por dez anos ele ouviu casos e juntou depoimentos. Ao final, selecionou cerca de 150 episódios de gente que dizia ter experimentado alterações relacionadas, de algum modo, à pessoa do doador. Destes, 73 eram realmente intrigantes - todos de cardía
cos de grande percepção, que ele denominou "cardiossensíveis", com histórias parecidas com as três acima citadas.

Mas Pearsall foi além. Neuroimunologista com mais de 20 anos de carreira, íntimo de famosos hospitais e institutos americanos, ele criou uma teoria para explicar tais fenômenos. Desafiando os cânones da ciência estabelecida, lançou um livro sugerindo que as células têm memória, que o coração pode pensar e tomar decisões independentemente do cérebro e que uma energia sutil, por ele denominada "energia V", flui por todo o corpo e nos liga a tudo no universo. "O coração tem codificado um sutil conhecimento ligando-nos a tudo (...) É um órgão sensitivo, pensante, comunicador." Classificou essa energia, sem muita modéstia, como a "quinta força" do universo, ao lado das quatro grandes forças da física - gravidade, eletromagnetismo, a força fraca e a força forte.

Até no cinema
Não chega a ser uma idéia nova. Os iogues falam desde a Antigüidade numa energia sutil que denominam prana. A filosofia japonesa a denomina ki e na chinesa ela é conhecida como chi. A acupuntura, com seus meridianos de energia, já foi até testada pela medicina ocidental, que confirmou seu poder anestésico e de cura em várias situações. Tais conceitos nos são familiares e talvez Pearsall não se importe se alguém disser que a sua "energia V" é uma nova versão dessa mesma idéia.

Mas Pearsall não está só nessa cruzada. Além de Memória das Células, o livro onde ele desenvolve essas hipóteses (ler Anote), uma professora de balé, Claire Sylvia, por ele entrevistada, decidiu contar sua própria aventura em outro livro, A Voz do Coração. Sua história começa ao pedir uma cerveja assim que despertou da cirurgia - ela, que jamais havia bebido cerveja na vida, mas tendo no peito o coração de um jovem e alegre consumidor da marca Miller. No embalo desses livros, uma consagrada autora de best sellers americana, Edna Buchanan,escreveu Pulse, história que um produtor de Hollywood comprou para transformar em filme.

A atriz Sally Field foi a escolhida, para viver o drama de uma mulher que tenta desvendar segredos da vida do seu doador e acaba descobrindo um crime. Para os militantes das chamadas terapias alternativas, é pura festa. Mais teorias, novos livros, até filmes, chegam como bom reforço para sua causa. Os cientistas ditos "tradicionais" dirão que não perdem tempo com hipóteses não comprovadas. Mas há uma razoável parcela da humanidade que não se enquadra nesses dois grupos. Gente que desconfia das soluções alternativas, que aplaude as conquistas da ciência, aprova o
rigor e a seriedade de seus métodos, mas entende que ela não só tem muito o que ensinar como, também, muito o que aprender. Que a metodologia científica é muitas vezes demasiado mecanicista em seus critérios de avaliação. E que a falta de provas não basta, sozinha, para provar que algo não existe.

Dois monólogos
Shakespeare já nos lembrava que pode haver mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a vã filosofia. Do francês Blaise Pascal ouvimos que o coração tem razões que a própria razão desconhece. Existirá, então, uma terceira via que, sem negar o rigor do método científico, admita que muitas daquelas histórias são reais e pedem uma explicação? O tipo de debate que se vê em livros, palestras ou até em sites da Internet indica que esse espaço, se existe, é exíguo - as opiniões são monólogos, pontas que nunca se juntam (ler quadro). Em nome da ciência, por exemplo, o cardiologista John Schroeder, do Centro Médico da Universidade de Stanford, nos EUA, sentencia: "A idéia de que o transplante de órgãos transfere um código das experiências de vida é inimaginável". Para Pearsall, que admite não dispor de provas para suas idéias, o problema é que "na ciência ocidental é tudo 8 ou 8" e seria preciso olhar outras culturas, "onde uma coisa pode ser 8 e também 80".

Depoimentos 

"Ao adquirir um novo coração, adquiri também um novo ritmo, novos impulsos, um novo conhecimento e novas questões."
Claire Sylvia, professora de dança, que trocou de coração em 1990.

"Apesar de não poder explicar as coisas surpreendentes que aconteceram a Claire Sylvia, não hesito em acreditar nelas. É por isso que aprecio falar com astrônomos e físicos quânticos, que lidam continuamente com eventos misteriosos e inexplicáveis."
Bernie Siegel, médico americano

"A memória resulta de um processo eletroquímico que ocorre entre as 100 bilhões de células nervosas do cérebro. Conhecendo-se o mecanismo de arquivamento do sistema nervoso, se verá que não há espaço para se fazer transferência de memória através de transferência de coração, fígado, rim ou o que seja."
Dr. Gilberto Xavier, Instituto de Fisiologia, USP

"Os doutores não sabem tudo. Há 50 anos, as pessoas riam da idéia de um código genético na saliva. Quem imaginaria que isso iria se tornar essencial numa investigação criminal?"
Edna Buchanan, escritora americana

"Memória celular é a noção especulativa de que as células do corpo humano trazem em si a chave de nossa personalidade, nossos gostos e histórias, independente das células do cérebro ou do código genético. Uma insensatez."
Robert Todd Carroll, no Dicionário dos Céticos.

"A história de Sylvia é um exemplo fascinante de como a memória celular pode sobreviver à morte física."
Deepak Chopra, escritor

"Um currículo sério e respeitável, nos meios médicos, não impede ninguém de dizer uma coisa estapafúrdia. Newton, com toda a sua sabedoria, era membro de uma organização mística. Temos a obrigação de não entrar em uma solução fácil."
Prof. César Ades, Instituto de Psicologia, USP

"O ritmo de nossa vida é ditado pelo coração. Sentimos isso dentro de nós, na relação com as pessoas e com as coisas. É com base nisso que elegemos o que nos agrada ou não. É uma energia real, ainda que a ciência hoje não tenha como medi-la."
Celso de Paula, psicólogo

"A célula tem, de fato, o que poderíamos chamar de memória impressa, com os dados do código genético que definem a cor dos olhos, ou o temperamento. Não é, de modo algum, uma memória dinâmica, adquirida em nossas experiências de vida."
Dra. Belkiss Romano, Incor, SP

 

Category : CIÊNCIA, TECNOLOGIA, ESPIRITUALIDADE Print

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