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 OSHO, no livro “Meditação: a primeira e última liberdade”

15/6/2010

 

 

"No judaísmo há uma escola de mistério rebelde chamada hassidismo. Seu fundador, Baal Shem, foi um ser raro. No meio da noite ele estava voltando do rio – essa era sua rotina, porque no rio, à noite, tudo era absolutamente calmo e tranqüilo. E ele costumava simplesmente sentar-se lá, fazendo nada – apenas observando seu próprio eu, observando o observador. Nessa noite, quando estava voltando, ele passou pela casa de um homem rico e o vigia estava lá em pé perto da porta.

 

E o vigia estava intrigado, porque toda noite, exatamente àquela hora, esse homem estava voltando. Ele saiu e disse: “Desculpe-me interrompê-lo, mas não consigo mais conter minha curiosidade. Você me persegue dia e noite, todos os dias. Qual é a sua ocupação? Por que você vai ao rio? Muitas vezes eu o segui e não há nada – você simplesmente senta-se lá, por horas, e no meio da noite você volta.”

 

Baal Shem disse: “Eu sei que você me seguiu muitas vezes, porque a noite é tão silenciosa, que eu posso ouvir seus passos. E eu sei que todo dia você está escondido atrás do portão. Mas não é apenas você que está curioso a meu respeito; eu também estou curioso a respeito de você. Qual é sua ocupação?”

 

Ele disse: “Minha ocupação? Eu sou um simples vigia.”

 

Baal Shem disse: “Meu Deus, você me deu a palavra-chave. Esta é a minha ocupação também!”

 

O vigia disse: “Mas eu não compreendo. Se você é um vigia, você deveria estar vigiando alguma casa, algum palácio. O que você está vigiando lá, sentado na areia?”

 

Baal Shem disse: “Há uma pequena diferença – você está alerta em relação a alguém do lado de fora que poderia entrar no palácio; eu simplesmente observo este observador. Que é este observador? Este é o espaço de toda a minha vida; eu observo a mim mesmo.”

 

O vigia disse: “Mas essa é uma ocupação estranha. Quem é que vai lhe pagar?”

 

Ele disse: “É uma benção tão grande, uma tal alegria, uma bem-aventurança tão imensa, que isso se paga a si mesmo em profundidade. Apenas um único momento, e todos os tesouros não são nada em comparação a ele.”

 

O vigia disse: “Isso é estranho. Eu tenho estado observando durante toda a minha vida. Eu nunca me deparei com uma experiência tão bonita. Amanhã à noite eu irei com você. Você apenas me ensina. Porque eu sei como observar – parece que apenas é necessário uma direção diferente: você está observando numa direção diferente.”

 

Há apenas um passo, e este passo é de direção, de dimensão. Ou podemos estar focados no exterior, ou podemos fechar os olhos para o exterior e deixar toda a nossa consciência ficar centrada para dentro – e você saberá, porque você é um conhecedor, você é consciência. Você nunca a perdeu. Você simplesmente deixou sua consciência se emaranhar em mil e uma coisas. Retire sua consciência de todos os lugares e apenas deixe-a descansar dentro de você, e você chegou em casa.

(...)

 

A gralha cantando... você está ouvindo. São dois elementos: objeto e sujeito. Mas você não pode ver uma testemunha que está vendo ambos? A gralha, o ouvinte e ainda há alguém observando ambos. É um fenômeno tão simples!

 

Você está vendo uma árvore: você está aí, a árvore está aí, mas será que você não pode encontrar alguma coisa mais? – que você está vendo a árvore e que há uma testemunha em você que está vendo você vendo a árvore.

(...)

A coisa mais importante é que você seja observador, que você não tenha se esquecido de observar que você está observando... observando... observando. E pouco a pouco, à medida que o observador se torna mais sólido, estável, seguro, uma transformação acontece. As coisas que você esteve observando desaparecem.

Pela primeira vez o vigia se torna o vigiado, o próprio observador se torna o observado.

Você chegou em casa.”

Category : HISTÓRIA, FILOSOFIA, TRADIÇÃO, MITOLOGIA Print

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