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 TEOSOFIA E O PÃO NOSSO DE CADA DIA

29/4/2010



Texto  publicado originalmente no boletim eletrônico -“O Teosofista” março 2010.

As diversas fontes científicas disponíveis neste início de século 21 parecem concordar com a ideia de que o trigo  nunca foi encontrado como planta nativa de algum país do nosso planeta, e  que o seu uso agrícola se confunde com a origem da civilização humana, cuja memória histórica não vai muito além de 6 mil anos atrás.  Pesquisas científicas admitem que o material genético das várias espécies do trigo é bastante complexo, se comparado com a maior parte das espécies de plantas. Também se constata que com o tempo surgiram cruzamentos do trigo com outras espécies de plantas gramíneas. Daí, provavelmente,  a sua diversidade atual. Não há, em enciclopédias ou estudos conhecidos, uma informação que diga: “o trigo é natural de tal lugar ou país”. 

Mesmo nos registros mais antigos, o trigo já aparece como uma espécie vegetal “domesticada”  e não como um “mato nativo”. Ele parece ter sido sempre um resultado da agricultura. Esta planta herbácea, da família das gramíneas, está presente nas lendas de quase todas as religiões, e elas lhe atribuem uma origem divina. Os fenícios agradecem pelo trigo às suas divindades; os hindus são gratos a Brahma. Para os gregos antigos, o trigo é um presente de Demeter, a deusa da agricultura, e para  os romanos se trata de um presente da deusa Ceres: de “Ceres” vem o nome “cereal”.  Os muçulmanos e cristãos também afirmam que a origem do trigo é celeste.

A filosofia esotérica tem uma explicação mais detalhada para a origem divina do trigo. A obra  “A Doutrina Secreta”, de H.P.B. , foi escrita com base nos registros esotéricos da evolução do nosso planeta, que estão sob a guarda de sábios do Oriente.  Referindo-se a um momento decisivo da evolução terrestre e humana, esta obra clássica afirma o seguinte:

“Frutos e grãos até então desconhecidos na Terra foram trazidos de outros Lokas [Esferas] pelos ‘Senhores da Sabedoria’, em benefício daqueles que governavam.” [1] A passagem diz respeito a Vênus, porque é de lá que vieram os “Senhores da Sabedoria”.  Pouco mais adiante, HPB menciona o fato de que o trigo jamais foi encontrado em estado silvestre em nosso planeta, e acrescenta:

“Podem encontrar-se as formas primitivas de todos os demais cereais, em várias espécies de ervas silvestres: o trigo, porém, tem desafiado até agora os esforços dos botânicos para descobrir-lhe a origem. E não esqueçamos, neste particular, quão sagrado era este cereal entre os sacerdotes egípcios; o trigo era colocado até mesmo junto de suas múmias, em cujos ataúdes foi encontrado milhares de anos depois.” [2]   HPB lembra que, no livro egípcio dos mortos, vemos a deusa Ísis afirmar, seguindo a mesma linha das tradições de outros povos:

“Eu fui a primeira a revelar aos mortais os mistérios do trigo e dos cereais...”  H.P.B.  também menciona o fato de que, segundo o I-Ching chinês, a agricultura surgiu graças “às instruções dadas aos homens pelos espíritos celestes”. [3]

Deste modo, podemos perceber facilmente um fato básico. Quando o cristianismo usa o pão em seus rituais, está adotando na realidade uma antiga tradição pagã, segundo a qual o trigo tem origem divina  e extra-terrestre.  Os vários mitos ocidentais e mais especificamente “A Doutrina Secreta” são confirmados também pela mitologia  dos índios brasileiros Carajás.  

Houve um tempo - diz uma lenda - em que a nação dos Carajás não sabia fazer roça, nem plantar o milho cururu,  nem ananás, nem mandioca. A nação só vivia de frutas do mato, dos bichos terrestres que matava e de peixe. Naquela época, conta-se que um casal vivia com suas duas filhas.

Durante um certo anoitecer estrelado, a filha mais velha do casal olhou para Tahina-Can - Vênus, a “grande estrela” - e desejou fortemente viver com o planeta.   Diante disso, o  pai da moça riu.  Ele disse que ninguém poderia alcançar Tahina-Can. A estrela vespertina estava muito longe. 

O significado da passagem  é que a humanidade olha para o alto em busca de ajuda em sua evolução. Ela aspira a algo maior, mas, inicialmente, a ajuda parece impossível. À noite,  quando todos dormiam,  um velho de idade avançada surgiu e apresentou-se à moça. Disse que era Tahina-Can, Vênus,  e perguntou a ela se queria casar com ele. Surpresa, ela disse que não.  “Você é velho e feio”, explicou.   

A velhice simboliza a sabedoria. A forma externa decepcionante serviu para testar o discernimento da discípula e saber se ela podia ir além das aparências. A humanidade de Vênus é mais velha e mais sábia que a humanidade terrestre. Porém, em geral, quando a ajuda do alto finalmente vem para os humanos, os mesmos que a pediram nem sempre estão dispostos a aceitá-la, porque ela não corresponde às expectativas criadas desde o ponto de vista da rotina e da  ignorância. Neste caso específico, a ajuda vinda de Vênus pode ter sido rejeitada pelas sub-raças mais antigas da terceira raça-raiz, simbolizadas, na lenda, pela irmã mais velha.

Diante da reação da jovem, Tahina-Can começou a chorar. O choro de seres divinos simboliza não só a compaixão universal,  mas também a irrigação, a purificação, a renovação da vida. Denakê, a filha mais moça do casal, tinha um coração especialmente bondoso. Ela compadeceu-se do velhinho e disse que se casaria com ele. E ficaram juntos. A bondade de coração abre as portas da sabedoria.  O casamento entre o velho de Vênus e a filha mais moça do casal terrestre simboliza também a união alquímica entre eu superior - velho porque imortal - e o eu inferior, que é novo porque, sendo mortal, nasce outra vez a cada encarnação. 

No dia seguinte, cedo pela manhã, o velho Tahina-Can, Vênus, foi trabalhar. Ele colheu sementes em um rio  e criou a agricultura.  Ele  deu ao povo da terra os grãos e os cereais. E passou a usar um corpo físico jovem, adaptado ao processo terrestre.  Assim se renovou o processo vital do nosso planeta. [4]
Esta tradicional lenda Carajá, do rio Araguaia, é mais uma validação no plano  mitológico da afirmativa feita em “A Doutrina Secreta”, de que os sábios do planeta Vênus estão ligados à invenção da agricultura e ao começo do uso do trigo em nosso planeta.
 

Tais sábios deram vários tipos de apoio à evolução humana. Eles trouxeram ao nosso planeta o fogo da consciência, o princípio mental que nos faltava. Quando olhamos Vênus a cada anoitecer, ou quando comemos um pedaço de pão, vale a pena, portanto, lembrar que a evolução terrestre  não é um processo isolado. Nosso ecossistema - nosso ambiente natural mais imediato - é o sistema solar.   

NOTAS:
[1]  Ver “A Doutrina Secreta”, de Helena Blavatsky, Ed. Pensamento, SP, volume III, p. 391. Na edição original em inglês “The Secret Doctrine”, de HPB,  Theosophy Co., Los Angeles, ver  volume dois, p. 373.
[2] “A Doutrina Secreta”, obra citada, volume III, p. 392.
[3]  “A Doutrina Secreta”, obra citada, volume III, p. 393.
[4] “Lendas do Índio Brasileiro”, organização de Alberto da Costa e Silva, terceira edição, Ediouro, RJ, 300 pp., ver pp. 293-296.

Category : HISTÓRIA, FILOSOFIA, TRADIÇÃO, MITOLOGIA Print

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